Procuradoria eleitoral cobra explicações do governo Tarcísio sobre caso de motorista de Haddad

A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo pediu explicações à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) após o candidato do PT ao governo paulista, o ex-ministro Fernando Haddad, relatar conduta da Polícia Militar que classificou como “ostensiva” e fora do padrão em relação ao motorista dele.
O episódio teria ocorrido na última terça-feira (11) após o condutor deixar o petista em casa, no Planalto Paulista, bairro da capital. Segundo relatos feitos à equipe do candidato, uma viatura da PM teria emparelhado com o carro, se aproximado do para-choque e seguido o veículo, sem fazer uma abordagem formal.
O despacho cita “possível prática de abuso dos poderes político e de autoridade, mediante a utilização da máquina pública e do aparato policial estatal para coagir ou intimidar candidato durante o processo eleitoral, bem como de conduta vedada, em afronta aos princípios da impessoalidade e da lisura do pleito”.
A comunicação, assinada pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt, cobra, no prazo de cinco dias, explicações do secretário de Segurança Pública do estado, Osvaldo Nico Gonçalves, em especial sobre eventual ordem para a realização de patrulhamento ostensivo na região da casa do ex-ministro.
O representante do Ministério Público Federal também cobrou explicações da comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Anselmo Cavalli, sobre o plano estratégico e operacional do batalhão regional, incluindo setorização das áreas, patrulhamento motorizado e operações especiais em agosto.
O procurador pediu ainda os setores de patrulhamento, a área de atuação da guarnição, ordens de serviço expedidas de 1º a 11 de agosto, bem como a identificação da viatura empregada e dos PMs que integravam a guarnição. Tudo em cinco dias.
Como mostrou a Folha, membros da cúpula da Segurança Pública dizem que imagens de uma viatura cruzando a casa do petista não mostram velocidade incompatível com o padrão, nem o uso de holofotes na direção do veículo, como Haddad narrou ter visto.
Uma apuração preliminar também identificou divergências entre a versão do motorista e as imagens obtidas em locais apontados como cruciais em seu relato, entre eles um hotel. O condutor teria afirmado que parou no estacionamento de um hotel, mas vídeos teriam mostrado o veículo passando direto.
Nesta quinta-feira (13), em entrevista coletiva, Haddad afirmou que pegaram a câmera errada do hotel.
A comunicação da Procuradoria Eleitoral também solicita as imagens do estabelecimento naquele dia e horário.
Na noite desta quinta, a Secretaria de Segurança Pública informou que a PM instaurou, no dia anterior, uma investigação preliminar para apurar o relato. Caso sejam identificados indícios de irregularidades, o procedimento pode ser convertido em inquérito.
Segundo a nota, uma análise de cerca de 40 câmeras ao longo do percurso não indicou “nenhum indício de abordagem ou procedimento irregular por parte dos policiais nem interação das equipes com o candidato ou membros da sua equipe”.
Folha de São Paulo



