Quaest: 61% dizem que eleições foram limpas e justas; 30%, fraudadas

Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8) mostra que 61% dos brasileiros acreditam que as eleições deste ano foram limpas e justas, ante 30% que consideram que houve fraude. Não sabem ou não opinam 9%.
Dúvidas sobre o processo eleitoral foram levantadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno do pleito presidencial contra Lula (PT).
Em entrevista à Folha, ele afirmou que nenhum dos dois candidatos pode saber com 100% de certeza quem foi eleito presidente. Embora tenha admitido não ter provas de irregularidades, disse ter motivos para desconfiar e que esse é um assunto proibido de ser investigado no país.
O recorte por posicionamento ideológico é claro nas respostas sobre a lisura do processo. Entre os lulistas, 96% dizem que as eleições foram limpas e justas; entre os bolsonaristas, 93% afirmam que elas foram fraudadas.
Dos classificados pela Quaest como independentes, 61% afirmam que as eleições foram corretas e 22%, que não. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atestou a integridade do processo eleitoral, aprovado também por observadores internacionais.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos após a derrota e a subsequente ordem de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), para cancelar os seus passaportes.
Praticamente todo mundo (89%) ficou sabendo da ida do ex-presidenciável do PL para o exterior, num percentual superior ao registrado para outras notícias, como a crise no STF envolvendo Moraes, André Mendonça e o escândalo do Banco Master (73%) ou as investigações sobre o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha (66%).
A maioria dos eleitores (62%) considera que a fuga foi um erro, enquanto 29% a veem como acertada. Outros 9% não sabem ou não opinam.
Quanto ao motivo da saída, 56% dizem que ele estava fugindo da Justiça e 35% acreditam que ele viajou para se proteger de perseguição política. Descartam ambas as razões 2%, e 7% não sabem ou não responderam.
Também nessas questões o crivo ideológico foi forte: 92% dos lulistas desaprovam a atitude do Flávio, enquanto os bolsonaristas são compreensivos (90% afirmaram que ele fez bem). Entre os independentes, 63% se opuseram à decisão do ex-presidenciável, 21% aprovam a viagem e 16% não sabem ou não quiseram responder.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores brasileiros com 16 anos ou mais por meio de entrevistas pessoais domiciliares feitas de 30 de outubro a 2 de novembro. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, dentro do nível de confiança de 95%.
Após a fuga, o filho do ex-presidente do Bolsonaro publicou uma carta na qual se autointitulava “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A expressão depois foi trocada em nova versão do texto, mas Flávio continuou a lançar, sem qualquer evidência, dúvidas sobre o processo eleitoral.
De acordo com a pesquisa, 70% ficaram sabendo da carta golpista, ante 30% que ainda não tinham conhecimento.
Flávio se comportou mal diante dos resultados das eleições sob a ótica de 60% dos eleitores brasileiros; 25% declaram que ele agiu bem, e 9% consideram que não foi nem bem nem mal. Não respondem ou não sabem responder 6%.
Para efeito de comparação, 45% consideraram que Jair Bolsonaro agiu mal depois do pleito de 2022, ante 41% que afirmaram o contrário, que estava indo bem após a derrota. O ex-presidente não fez pronunciamento na noite da apuração, como é costume, não felicitou o vencedor e, no final do ano, viajou para a Flórida. Não passou a faixa presidencial para Lula.
Folha de São Paulo



