Quem era a atriz da Globo que morreu vítima de câncer agressivo; marido lamenta perda

A atriz Titina Medeiros morreu em 11 de janeiro, aos 48 anos, após enfrentar um câncer de pâncreas. Nesta terça-feira, 11, sete meses após a morte da artista, o marido dela, César Ferrario, prestou uma nova homenagem nas redes sociais e falou sobre a saudade que sente da companheira.
Atualmente no ar na novela A Nobreza do Amor, das 18h da TV Globo, na qual interpreta Fortunato Aragão, César publicou uma série de fotos ao lado de Titina. Na legenda, destacou a intensidade do luto e relembrou o amor que os unia.
“Hoje não tem música. Desde a madrugada que só chove. É dia de saudade. Todo dia é, mas hoje mais. Muita falta dela, jogando luz sobre tudo! Muito amor. Eterno amor”, escreveu o ator.
A publicação emocionou os seguidores, que deixaram mensagens de carinho nos comentários. “Toda vez que me deparo com alguma coisa sobre ela, entro em completo estado de negação. Não pode ser, mas é”, escreveu uma pessoa. Outra afirmou: “Receba meu carinho, César. Titina faz muita falta nesse mundo!”. “Tão preciosa! Sempre será!”, comentou uma terceira.
Titina recebeu o diagnóstico de câncer de pâncreas em abril de 2025. Antes mesmo de descobrir a doença, porém, a atriz já apresentava sintomas que chamavam atenção.
De acordo com um amigo próximo da artista, ela vinha sofrendo com dores persistentes nas costas. O problema chegou a afetar compromissos profissionais e atividades culturais que estavam previstas para o início de 2024.
A atriz morreu meses depois, em janeiro deste ano, aos 48 anos.
A doença enfrentada por Titina também atinge milhares de brasileiros. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 10 mil novos casos de câncer de pâncreas são registrados no país em um período de um ano.
Titina Medeiros – Foto: reprodução/Instagram
Quem foi Titina Medeiros?
Natural do Rio Grande do Norte, Titina Medeiros construiu uma trajetória marcada por trabalhos no teatro, na televisão e em produções audiovisuais.
A projeção nacional veio em 2012, quando interpretou Socorro em Cheias de Charme, novela da Globo. Na trama, a personagem era amiga próxima de Chayene, vivida por Claudia Abreu.
Embora tenha conquistado maior reconhecimento com a novela, Titina já tinha uma carreira consolidada nos palcos e em produções de menor duração. Entre as peças que fizeram parte de sua trajetória estão Meu Seridó, Dois Amores y Um Bicho, Hamlet, Sua Incelença, Muito Barulho Por Quase Nada e Pobres de Marré.
Na televisão, participou de Chão de Estrelas, exibida pelo Canal Brasil em 2021, produção que acompanha uma companhia teatral diante de diferentes dificuldades.
Titina também integrou o elenco da sitcom Os Roni, do Multishow, em 2019. A história acompanha irmãos nordestinos que deixam sua região de origem e seguem para São Paulo em busca de uma nova vida. Tirulipa e Whindersson Nunes também faziam parte do elenco.
Na Globo, além de Cheias de Charme, a atriz esteve em novelas como Geração Brasil, A Lei do Amor e Mar do Sertão. Seu último trabalho na televisão foi No Rancho Fundo, exibida em 2024.
Titina deixa o marido, César Ferrario. Os dois, inclusive, trabalharam juntos em Cheias de Charme, em 2012.
Titina Medeiros – Foto: reprodução/Instagram
Por que o câncer de pâncreas é considerado agressivo?
O câncer de pâncreas surge a partir do crescimento de células malignas no órgão e está entre os tumores que apresentam maior dificuldade de identificação em fases iniciais.
Um dos principais desafios está justamente na ausência de sintomas específicos no começo da doença. O cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), explica que, quando os sinais aparecem, em muitos casos o tumor já avançou e pode ter atingido outras regiões do organismo.
O oncologista Mauro Donadio, da Oncoclínicas, afirma que somente entre 10% e 15% dos casos são descobertos precocemente. Quando o diagnóstico acontece no início, entretanto, existe a possibilidade de tratamento cirúrgico com intenção curativa. Em tumores muito pequenos e identificados em fases iniciais, aproximadamente 25% a 30% dos pacientes podem alcançar a cura, segundo o especialista.
A evolução rápida e a capacidade de atingir estruturas próximas ajudam a explicar a gravidade da doença. O câncer pode comprometer órgãos como o fígado e o peritônio e também se disseminar pelos sistemas linfático e sanguíneo.
Dependendo do caso, a equipe médica pode recomendar quimioterapia antes ou depois de uma cirurgia, com o objetivo de aumentar as possibilidades de controle da doença.
Entre os diferentes tipos de câncer pancreático, o adenocarcinoma ductal pancreático é o mais frequente e também apresenta comportamento mais agressivo. Ele se origina nas células dos ductos do pâncreas.
Existem ainda os tumores neuroendócrinos bem diferenciados, que são menos frequentes e geralmente apresentam comportamento menos agressivo. Outro exemplo são as lesões pré-malignas, como a neoplasia mucinosa papilar intraductal (IPMN), que exigem acompanhamento médico.
Não foi divulgado qual era o tipo de câncer de pâncreas diagnosticado em Titina Medeiros.
Fatores que aumentam o risco
O desenvolvimento do câncer de pâncreas pode estar associado a fatores genéticos e também a condições relacionadas ao estilo de vida.
Entre os fatores hereditários, que representam aproximadamente 10% a 15% dos casos, estão:
- Síndromes hereditárias relacionadas aos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2, incluindo casos de câncer de mama e ovário;
- Síndrome de Peutz-Jeghers;
- Pancreatite hereditária.
Já entre os fatores que não estão necessariamente relacionados à hereditariedade estão:
- Tabagismo;
- Sobrepeso e obesidade;
- Diabetes mellitus;
- Pancreatite crônica não hereditária.
Quais sinais podem indicar a doença?
Como os sintomas iniciais podem ser pouco específicos, a identificação do câncer pancreático costuma ocorrer tardiamente. Entre os sinais que podem aparecer estão:
- Pele e olhos amarelados, característica conhecida como icterícia;
- Urina escura, semelhante à cor de chá-preto;
- Cansaço;
- Diminuição do apetite;
- Perda de peso sem explicação;
- Dor na região superior do abdômen;
- Dor nas costas.
Esses sintomas também podem estar relacionados a diversas outras doenças, o que dificulta a identificação do câncer logo no início.
O diabetes também merece atenção, já que pode funcionar como fator de risco e, em determinadas situações, surgir antes da descoberta do tumor.
Para investigar a presença da doença, os médicos podem solicitar exames de imagem, como ultrassonografia convencional ou endoscópica, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Exames de sangue, incluindo a avaliação do marcador CA 19-9, também podem fazer parte da investigação.
A confirmação do diagnóstico de uma neoplasia é feita a partir da análise do material obtido por biópsia.
Como é feito o tratamento?
A estratégia terapêutica varia conforme o tipo de tumor, a extensão da doença e as condições clínicas de cada paciente.
A cirurgia para retirada do tumor é considerada a alternativa com potencial de cura. No entanto, apenas uma parcela dos pacientes pode ser submetida ao procedimento, principalmente porque muitos diagnósticos acontecem quando a doença já está em estágio avançado.
Quando a cirurgia não pode ser realizada, tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem ser utilizados, de acordo com a avaliação da equipe médica.
A importância de descobrir a doença cedo
O diagnóstico em uma fase inicial pode aumentar significativamente as possibilidades de sucesso no tratamento. Segundo Lucas Nacif, quando o tumor é identificado precocemente, a chance de um resultado positivo pode chegar a 90%.
Atualmente, porém, não existe um método de rastreamento considerado eficaz para a população em geral, diferentemente do que ocorre com outros tipos de câncer, como os de mama e do colo do útero.
Uma das alternativas estudadas é a chamada biópsia líquida, que busca identificar fragmentos genéticos do tumor por meio de amostras de sangue. De acordo com Mauro Donadio, apesar de ser uma técnica promissora, ela ainda não está disponível de maneira ampla na prática clínica.
Pessoas que apresentam histórico familiar da doença ou determinadas síndromes genéticas podem receber indicação de acompanhamento específico, incluindo exames como ressonância magnética e ultrassonografia endoscópica.
Mesmo sem um rastreamento indicado para a população geral, sintomas persistentes ou sem explicação, como emagrecimento, dor abdominal, icterícia, náuseas e falta de apetite, devem ser avaliados por um médico.
No caso do câncer de pâncreas, o estágio em que a doença é descoberta é um dos principais fatores relacionados às possibilidades de tratamento. Quanto mais cedo o tumor for identificado, maiores tendem a ser as chances de controle da doença.
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