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Repórter japonesa que cobre o Brasil vê o Japão confiante – 27/06/2026 – Esporte

O treino da seleção brasileira terminou com um movimento incomum para quem está acostumada a ficar do outro lado do microfone.

Entre pedidos de entrevistas, entradas ao vivo na TV e uma espécie de fila improvisada de repórteres brasileiros, Kiyomi Nakamura virou personagem da própria cobertura na Copa do Mundo.

Em determinado momento dos 15 minutos em que a imprensa acompanha o início da atividade à beira do gramado, um comentarista da Ge TV, ainda no ar, avisou que era hora de liberá-la para falar com a Record.

Àquela altura, ela já contabilizava mais de dez entrevistas. “Nunca tinha sido tão procurada assim em um treino”, contou à Folha.

O motivo estava no campo. Na segunda-feira (29), o Brasil encara o Japão pela fase de 32 seleções do Mundial, e poucos jornalistas conhecem tão bem os dois lados dessa história quanto Kiyomi.

Japonesa, moradora do Rio de Janeiro desde 2001 e cobrindo a seleção brasileira desde 1998 para veículos de seu país, ela atravessou oito Copas acompanhando a equipe canarinho e construiu uma relação de respeito e simpatia com jogadores e treinadores que passaram pela seleção ao longo de quase três décadas.

Formada em literatura americana e inglesa, em geral ela costuma questionar os atletas sobre aspectos humanos de suas trajetórias.

“Mas hoje não tem como evitar uma pergunta sobre o jogo [entre Brasil e Japão]”, disse ela ao atacante Rayan nesta sexta-feira (26) antes de questioná-lo sobre a evolução do futebol japonês e as qualidades da seleção asiática.

Segundo Kiyomi, pela primeira vez há no país a expectativa de que é possível fazer frente à seleção brasileira.

“Para a imprensa japonesa e para o povo japonês, pela primeira vez está tendo uma expectativa diferente. Será que temos possibilidade de vencer o Brasil? Nós nunca pensamos nisso. Enfrentar o Brasil seria um sinal de que a participação do Japão iria acabar. Mas, pela primeira vez, temos uma possibilidade”, disse.

“Talvez o crescimento do futebol japonês tenha mudado a postura não só da imprensa, mas dos jogadores e do povo japonês”, acrescentou.

Mesmo assim, para Kiyomi, o Brasil vai vencer o confronto. “Pode ter certeza de que o Japão vai fazer um bom jogo, pode até assustar o Brasil, mas o Brasil é diferente.”

Ela só não gostaria de ver um placar elástico. “Se for 1 a 0 para o Brasil já está ótimo. Não quero ver o Japão sofrendo muitos gols”, brincou.

Não se espera, de fato, que possa ocorrer uma goleada no confronto. A seleção japonesa avançou como segunda colocada do Grupo F, com 5 pontos, atrás da Holanda, que somou 7.

No último encontro entre as seleções, em outubro do ano passado, a seleção asiática venceu o amistoso por 3 a 2. É bem verdade que as duas equipes estão bem modificadas desde aquela partida, mas o placar foi um resultado histórico dentro do confronto.

Influência de Zico

A evolução do futebol japonês tem conexões diretas com o Brasil, criadas sobretudo por Zico, responsável por despertar a paixão de Kiyomi pela seleção brasileira.

Zico teve passagens marcantes pelo Japão como jogador e treinador. Ele atuou pelo Kashima Antlers de 1991 a 1994. Depois, virou diretor do clube. Mais tarde, comandou a seleção japonesa, de 2002 a 2006.

Antes de treinar a equipe asiática, ele foi coordenador da seleção brasileira na comissão técnica liderada por Zagallo na Copa do Mundo de 1998. Foi nessa época que Kiyomi começou a acompanhar mais de perto a equipe.

“O Zico sempre foi um herói no Japão”, ela contou. “Então, montei um projeto para cobrir o trabalho dele nos três meses que antecederam aquele Mundial”, lembrou.

O que era para ser apenas três meses para seguir o ídolo virou uma motivação para a jornalista.

Ela sentiu que precisava viver o Brasil de perto e resolveu se mudar para o Rio de Janeiro em 2001, um ano antes da Copa do Mundo disputada em sua terra natal junto com a Coreia do Sul, a última conquistada pelo Brasil.

A partir dali, a jornalista japonesa passou a ser figura constante no dia a dia da seleção há quase três décadas.

Embora não revela sua idade, ela valoriza o fato de ter acompanhado oito Copas do Mundo cobrindo a seleção brasileira de perto.


Esporte / Folha de São Paulo

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