Rivais dão muita liberdade a Messi e pagam caro por isso; veja estatísticas

Messi é absurdo. Mas também é absurda a liberdade que Argélia e Áustria deram a ele em campo nesta Copa do Mundo.
Não é que ele tenha vida fácil em campo o tempo todo. O problema é que, exatamente na faixa do campo em que o craque é decisivo, ele recebeu a bola de frente para o gol repetidas vezes. Em algumas delas, totalmente desmarcado.
Eis exemplos das partidas, um de cada partida.
Primeiro gol contra a Áustria
O craque argentino fica longe da jogada durante todo o contra-ataque, mas o momento crucial é quando ele se aproxima da entrada da área sem sinal de marcação, totalmente de livre, de frente para o gol.
Isso não tira o mérito da jogada: Almada foi muito perspicaz e aumentou ainda mais a vantagem do camisa 10 na jogada com o efeito surpresa do corta-luz (quando um jogador deixa a bola passar mesmo em condições de passá-la ou chutá-la).
Enquanto os atacantes e meio-campistas argentinos aceleram, puxando a marcação durante o contra-ataque, Messi avança lentamente, explorando os espaços que os defensores deixam para trás na corrida.
Ainda assim, deixá-lo tão livre assim logo na entrada da área é um erro de marcação inadmissível.
Terceiro gol contra a Argélia
Quando a Argentina consegue superar a marcação avançada dos argelinos na partida de estreia, enquanto todos os jogadores de meio e ataque avançam, Messi recua para receber a bola com espaço e de frente para a jogada.
Com os marcadores correndo para alcançar os atacantes, ele ganha campo para conduzir a jogada e, assim que um defensor insinua se aproximar do camisa 10, ele toca a bola para um dos argentinos avançados (no caso, Nico González).
Nico desacelera e espera Messi chegar sozinho na boca da área para receber e fazer um gol muito parecido com o primeiro contra a Áustria. O craque chuta sem dificuldade.
Assim, os meias que em teoria jogariam atrás de Messi acabam atuando quase como pontas em situações de contra-ataque. Eles correm para a linha de fundo pelos lados enquanto o argentino flutua por onde o espaço se abrir.
O mapa de calor mostra bem essa movimentação: nas duas partidas, Messi basicamente tocou na bola ali, na entrada da área.
Jogando dessa forma, Messi deu 13 dos 22 chutes a gol da Argentina até aqui nesta Copa.
Lautaro corre para Messi andar
Contra a Áustria, o atacante Lautaro Martínez apareceu pouco no ataque, mas não deixou de ser importante: sofreu o pênalti na única chance de finalização que teve e puxou uma boa jogada pela esquerda, quase como um ponta.
No mapa de passes (que mostra a posição média de cada jogador e a quantidade de passes que recebeu de cada companheiro, dada a grossura da linha de passes), Lautaro aparece posicionado praticamente como um volante, atrás de todos os outros colegas de meio e ataque.
Ele tem mais desarmes (3) nesta Copa do que finalizações (1). A movimentação dele sem bola é crucial para abrir o espaço de que Messi precisa.
Esporte / Folha de São Paulo



