Saiba identificar o tipo de dor no joelho e o tratamento indicado para cada condição

Depois das costas, o joelho é a segunda parte do corpo mais afetada por dor crônica. Muitas pessoas sentirão dor no joelho em algum momento da vida, seja por lesões na cartilagem e nos tecidos moles quando são adultos jovens e ativos, seja pelo desgaste decorrente do envelhecimento.
Por ser uma das maiores articulações do corpo, o joelho absorve impacto quando você pratica esportes, sobe escadas e se deita na cama. Essa sobrecarga pode desgastá-lo e, se já houver uma lesão, causar uma dor que pode variar de incômoda a incapacitante.
A dor crônica pode ser particularmente cruel —física, financeira e emocionalmente—, afirma Matthew Abdel, cirurgião ortopédico da Mayo Clinic. “Talvez a pessoa não diga: ‘Ei, meu joelho está me matando’. Mas, enquanto conversa com você sobre algo totalmente diferente, está pensando nisso.”
Felizmente, há medidas que você pode tomar para controlar o desconforto, preservar a mobilidade e evitar futuras lesões e uma eventual cirurgia.
Saiba como distinguir os tipos mais comuns de dor no joelho e o que os especialistas recomendam como tratamento.
Causas comuns de dor no joelho
A causa mais comum de dor crônica no joelho, especialmente entre adultos a partir dos 55 anos, é a osteoartrite. Nessa condição, a cartilagem das articulações se desgasta e perde a capacidade de absorver impactos. Isso provoca inflamação, inchaço ocasional e dor que, em geral, piora com o tempo, embora haja dias bons e ruins, explica Nicholas Scarcella, cirurgião ortopédico da Cleveland Clinic.
A dor pode ser aguda ou pulsante e surgir em diferentes partes do joelho, nas laterais ou sob a patela. Pessoas com osteoartrite costumam sentir rigidez pela manhã, e geralmente fica mais fácil se movimentar ao longo do dia.
Entre as pessoas fisicamente ativas, as lesões por esforço excessivo também são causas comuns de dor no joelho. Em geral, elas ocorrem quando se aumenta repentinamente a intensidade, a duração ou o volume dos exercícios.
Corredores de longas distâncias podem estar sujeitos à síndrome da banda iliotibial, decorrente de movimentos repetitivos e responsável por causar dor na parte externa do joelho. Esforço excessivo, fraqueza dos músculos do quadríceps, mau alinhamento do joelho e lesões anteriores podem levar à síndrome da dor patelofemoral, que causa dor sob a patela.
A dor no joelho também pode surgir de repente, após uma queda ou um acidente, durante a prática de esportes ou até mesmo ao se abaixar. Nesses casos, a dor pode ser aguda e intensa.
Uma das lesões mais comuns do joelho é a ruptura do menisco, uma estrutura de cartilagem que absorve impactos e ajuda a manter o joelho estável. As rupturas costumam ser causadas por um movimento de torção e podem provocar dor aguda, inchaço e dificuldade para dobrar a articulação. “Geralmente é um acontecimento de que a pessoa se lembra”, diz Scarcella.
A entorse de ligamento é outra lesão comum e ocorre quando um dos quatro principais ligamentos do joelho se estende demais ou se rompe.
Dois ligamentos frequentemente lesionados são o ligamento colateral medial (LCM) e o ligamento cruzado anterior (LCA). No caso específico de uma ruptura do LCA, você pode sentir ou ouvir um estalo.
Como tratar a dor no joelho
Mesmo que a dor tenha surgido gradualmente, vale considerar uma consulta com um fisioterapeuta.
Esse profissional pode ajudar a identificar padrões de movimento que talvez estejam contribuindo para a dor no joelho, como fraqueza nos quadris ou a tendência de os pés se inclinarem para dentro, afirma Robert Turner, fisioterapeuta do Hospital for Special Surgery em Nova York. Ele também saberá dizer se você deve procurar um médico.
Se a dor for crônica, e não resultado de uma lesão recente, fortalecer os músculos ao redor do joelho, tanto acima dele —glúteos, flexores do quadril, quadríceps e músculos posteriores da coxa— como abaixo —panturrilhas e músculos do tornozelo—, pode reduzir dores de diferentes origens e prevenir futuros incômodos. Para a dor patelofemoral, pode ser útil fortalecer o quadríceps, os abdutores do quadril e os músculos do core, além de alongar o quadríceps.
Os exercícios também podem reduzir a dor causada pela osteoartrite e talvez sejam tão eficazes quanto analgésicos vendidos sem receita. Atividades aeróbicas de menor impacto, como andar de bicicleta, nadar ou usar o aparelho elíptico, podem ser boas opções caso sua rotina habitual seja dolorosa.
Se as mudanças no estilo de vida e os medicamentos por via oral não estiverem ajudando, o médico poderá recomendar infiltrações de corticoides. Elas podem reduzir a dor por algumas semanas de cada vez, mas não são recomendadas para uso frequente, afirma Scarcella.
As evidências sobre a eficácia das injeções de ácido hialurônico para reduzir a dor são divergentes, mas alguns médicos afirmam que elas podem ajudar pacientes com osteoartrite menos avançada para os quais outros tratamentos não funcionaram.
Se você já tentou vários tratamentos e a dor continua afetando sua qualidade de vida, o médico poderá recomendar uma cirurgia de substituição do joelho.
No caso de lesões súbitas, Turner recomenda interromper a atividade que causou a dor e aplicar gelo ao redor de toda a articulação. Analgésicos vendidos sem receita, como ibuprofeno, ou alternativas de uso tópico podem ajudar. Algumas lesões, como a ruptura do LCA ou do menisco, podem exigir cirurgia em certos pacientes.
Você deve procurar um médico se o joelho parecer instável, se sentir uma dor repentina, aguda e lancinante, se não conseguir subir ou descer escadas ou se não conseguir dar mais de quatro passos sem sentir dor, afirma Turner.
Também não se deve ignorar a febre —que pode ser sinal de infecção—, nem uma dor que esteja piorando.
Como manter os joelhos saudáveis
Muitos fatores de risco para a dor no joelho estão fora do nosso controle, afirma Abdel —não é possível mudar a idade ou a genética, por exemplo. Mas manter um peso corporal saudável pode ajudar a reduzir a carga sobre os joelhos. A cada passo, o joelho suporta uma carga equivalente a duas ou três vezes o peso do corpo.
Manter-se ativo também é importante. Embora seja comum a ideia equivocada de que algumas formas de exercício prejudicam os joelhos, músculos enfraquecidos pela inatividade podem aumentar o risco de desenvolver osteoartrite no futuro.
Mesmo que você tenha artrite, desde que preserve a flexibilidade e a força, alimente-se bem e descanse o suficiente “terá uma capacidade funcional muito melhor e menos sintomas”, afirma Borg Stein.
Informação
Folha de São Paulo



