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The Yield Lab lança fundo inédito dedicado ao país



A The Yield Lab Latam, gestora especializada em agtechs, vai lançar seu primeiro fundo dedicado exclusivamente a um país, e nesse caso, o Brasil. O RAIZ Fund pretende captar R$ 200 milhões para investir em startups em fases de validação com serviços que usem inteligência artificial como base e contribuam com a sustentabilidade da agricultura no Brasil.
Estruturado como um Fundo de Investimento em Participações (FIP) brasileiro, o RAIZ vai investir pelo menos 67% de seu capital no Brasil e até 33% em tecnologias globais que estejam entrando no mercado brasileiro.
Até então, a rede global da gestora sempre operou em fundos regionais na América do Norte, Europa, Ásia e América Latina. Hoje, a Yield Lab investe em 35 startups de sete países da América Latina, sendo mais da metade no Brasil.
A escala da produção agropecuária no Brasil não é o único atrativo para a nova estratégia da gestora. Também entram na conta uma forte veia do país em mercados como fintechs e insumos biológicos.
Mesmo em meio a um cenário de juros altos no Brasil, que costumam levar os investidores a priorizar investimentos de menor risco, a gestora mostra entusiasmo com o atual momento. “O fato de ninguém ter dinheiro é melhor para quem está investindo. Quando há uma escassez de capital no mercado, quem está investindo determina o preço que quer investir”, afirmou Kieran Gartland, sócio-diretor da gestora ao Valor.
A possibilidade de operar em real é outra vantagem. Isso facilita, por exemplo, a captação de dinheiro com investidores públicos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que só investem em projetos locais, disse.
Ainda segundo Gartland, tecnologias de países como Argentina, Chile ou Peru são fáceis de importar e adaptar ao Brasil. “O Brasil sempre foi a âncora”, acrescentou.
A primeira meta do novo FIP é captar R$ 50 milhões até março de 2027. A gestora escolherá 25 startups em estágio Seed e Série A, e fará aportes com tíquetes de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões. Os investimentos serão em quatro áreas: fintech agrícola e climática; inteligência artificial, como agentes de WhatsApp e copilotos agronômicos; inteligência para a cadeia de suprimentos, e bioinsumos. “Se não tiver IA aplicada, esquece”.
Segundo o executivo, a gestora está interessada em IA aplicada nos processos, para reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos, uma barreira histórica para as agtechs. Com tecnologias chegando ao mercado mais rapidamente, o investidor também precisa acelerar o retorno do capital aplicado.
“Se você tem um fundo com cinco anos de investimento, quando chega ao quinto ano, o que você investiu no primeiro talvez já esteja desatualizado”, observou.
Por isso, a The Yield Lab aposta agora em fundos menores, com prazo de até cinco anos, em vez do modelo tradicional de venture capital, que costuma durar dez anos, divididos entre aportes e saídas.
A gestora espera recuperar o investimento por meio de aquisições estratégicas, em vez de depender de aberturas de capital (IPOs) ou de esperar que as startups se tornem unicórnios. Na avaliação de Gartland, empresas estabelecidas terão cada vez mais incentivo para comprar agtechs e incorporar tecnologias que não conseguem desenvolver internamente com a mesma velocidade.
“Não precisa ser uma saída de centenas de milhões”, avaliou. Um retorno de quatro ou cinco vezes o capital investido em cerca de três anos já pode ser suficiente, disse. A lógica é encurtar o ciclo entre investimento e saída para reinvestir os recursos em novos negócios.


Globo Rural

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