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Transformação digital avança no agro, mas com limitações em planejamento



A transformação digital está em ascensão no campo, e o agronegócio já alcança o mesmo nível de tecnologia existente em outras indústrias. No entanto, o principal desafio das empresas agropecuárias é transpor barreiras culturais e fazer da inovação um projeto de longo prazo.
Essas são algumas das conclusões do novo estudo realizado pela PwC Brasil e pela Fundação Dom Cabral, por meio do Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr). Segundo o levantamento, a maturidade digital do agronegócio brasileiro chegou a 3,6 pontos no ano passado. Em 2024, o indicador era de 3,1.
O patamar se iguala aos 3,6 registrados entre as demais indústrias avaliadas pelo indicador em 2025. No ano anterior, a média geral de todas as empresas brasileiras foi de 3,7 em uma escala de 0 a 6.
“A transformação digital no agronegócio deixou de ser uma discussão sobre adoção de tecnologia e passou a ser uma pauta da liderança [das empresas]”, diz Mayra Theis, sócia e líder do setor de agronegócio da PwC Brasil.
A executiva diz que, atualmente, o avanço tecnológico do agro depende menos de ferramentas disponíveis e mais da capacidade das organizações de estruturar processos, desenvolver pessoas e tomar decisões orientadas por dados.
Nas companhias do setor, os principais usos de ferramentas digitais são para infraestrutura e desenvolvimento de estratégias, que gerem ganhos de produtividade. De acordo com o ITDBr, 90% das empresas do agro indicam que o aumento da eficiência operacional é o impacto mais evidente de sua “jornada digital”. Há também evolução nos processos de decisão, citada por 54% das organizações.
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Por outro lado, a estrutura e a cultura organizacional ainda são citadas como os principais obstáculos à transformação digital no agronegócio. O tema aparece como o maior desafio para 49% das empresas — o mesmo índice da média das indústrias. A resistência à mudança e os entraves internos ainda pesam.
Além disso, somente 8% das companhias do agro se enquadram no “perfil visionário”, com investimentos orientados ao longo prazo e com uso da tecnologia como base para novos modelos de negócio. O índice, inferior à média geral da economia, de 16%, revela que poucas organizações estão avançando rumo a uma transformação mais profunda e assumindo a liderança na antecipação de tendências.
Na visão de Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, esses resultados mostram que o agronegócio atravessa um momento de transição, concentrado principalmente na otimização de suas operações atuais, ou seja, mais imediatas. “A ausência de uma visão mais orientada ao futuro pode limitar a velocidade de evolução do setor diante das crescentes demandas do mercado global, em que a inovação contínua é cada vez mais crítica para a longevidade das empresas”, afirmou.
O estudo conclui que o agronegócio pode evoluir de uma digitalização focada na eficiência para uma transformação estratégica, que reinvente modelos de negócio. “O setor reconhece a importância de testar, aprender e evoluir”, avalia Theis, da PwC.


Globo Rural

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