Uma dúvida sobre Tarcísio de Freitas intriga lulistas e bolsonaristas

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Preterido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência da República, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), é favorito para conseguir a reeleição em outubro. Pesquisa Datafolha divulgada no domingo 5 mostrou que, se a disputa fosse hoje, ele teria 52% dos votos válidos e garantiria um novo mandato no Palácio dos Bandeirantes já no primeiro turno. O ex-ministro Fernando Haddad (PT), seu principal rival, marcaria 34%.
Em tese, eventual vitória de Tarcísio de Freitas no primeiro turno ajudaria a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), porque o governador poderia se dedicar exclusivamente a buscar votos para o senador até a realização do segundo turno. Foi o que fez em 2022 Romeu Zema, após ser reeleito na rodada inicial para um novo mandato de governador de Minas Gerais. Naquele ano, Zema, hoje postulante ao Palácio do Planalto pelo Novo, quase ajudou Jair Bolsonaro a protagonizar uma virada sobre Lula.
No primeiro turno em Minas, o petista venceu o capitão por mais de 560 000 votos. No segundo turno, a diferença caiu para cerca de 50 000 votos, graças à intervenção de Zema. O enredo poderia se repetir em 2026 em São Paulo, mas há dúvidas quanto a isso tanto entre lulistas quanto em bolsonaristas. Nos dois lados, especula-se sobre a possibilidade de Tarcísio, reeleito no primeiro turno, fazer corpo mole na campanha nacional, pensando na corrida presidencial de 2030.
Furando a fila
Governistas e oposicionistas alegam que o governador pode achar mais interessante para o seu projeto político pessoal a vitória de Lula. Primeiro, porque o presidente, por uma limitação constitucional, não poderá disputar novamente em 2030. Segundo, porque se Flávio for derrotado a definição da próxima candidatura ao Palácio do Planalto no campo da direita estará em aberto, o que não ocorreria caso o senador se tornasse presidente. Ocupando o cargo, o Zero Um teria direito e prioridade para concorrer à reeleição.
Nas conversas nos dois lados da trincheira, é lembrado que Tarcísio já abriu mão de concorrer este ano, apesar de ser o nome favorito de líderes do Centrão e de pesos pesados do mercado financeiro e do empresariado. Ele teria sido fiel a Jair Bolsonaro e não teria dívida pendente com o seu padrinho político. Sua lealdade ao ex-presidente foi comprovada. A dúvida entre governistas e oposicionistas é se a lealdade se estenderá a Flávio Bolsonaro e resultará em empenho do governador pela vitória do senador, o que até agora não aconteceu.
Ciente do apetite dos colegas de direita que estão na fila presidencial, Flávio Bolsonaro anunciou que, se subir a rampa do Planalto, trabalhará pelo fim da reeleição. Foi um aceno a Tarcísio. Na campanha passada, Lula disse o mesmo, mas nada fez. Normal. Esse é o tipo de promessa em que não dá para acreditar.
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