Política

‘Único erro de Jaques Wagner é cuidar de pobre’, diz governador da Bahia

O senador Jaques Wagner (PT-BA) e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), estiveram juntos em um evento público nesta sexta-feira, 26, pela primeira vez desde que o parlamentar foi alvo de uma operação da Polícia Federal, na semana passada, por suspeitas de recebimento de propina de sócios do Banco Master em troca de conceder vantagens no Senado Federal.

Em discurso, o governador se emocionou ao defender e elogiar Wagner. Para ele — que está em seu primeiro mandato, mas o quinto do PT em uma dinastia iniciada pelo próprio Wagner na Bahia –, o senador é inocente e o seu único erro teria sido trabalhar demais pelos pobres, levando a oposição a persegui-lo politicamente por isso.

“Esse é o primeiro ato público com Wagner depois do que quiseram fazer com ele (…). Nós vamos mostrar, vamos provar, que, se você tem um erro na vida, para eles, é o erro de cuidar de pobre e dedicar a sua vida [a isso]”, declarou Jerônimo Rodrigues ao lado do senador e diante de um público de apoiadores que os aplaudiu. “Nós confiamos em vocês. A Bahia te ama, Wagner”, complementou com a voz embargada de choro.

A investigação contra Jaques Wagner levou a sua queda da função de líder do governo Lula no Senado, situação que foi comunicada à imprensa na última quarta-feira, 24, após ele se reunir com o presidente em Brasília e dizer que a decisão foi tomada em comum acordo. Segundo o governador baiano, a saída do senador da posição de liderança teria deixado o parlamentar acertado com o chefe do Executivo federal. “Anteontem, ele [Wagner] conversou com o nosso amigo Lula e se acertou [com ele]. Para além de um cargo de liderança, estão o Brasil e a Bahia”, disse Jerônimo.

O evento em que ambos estiveram juntos hoje ocorreu em Barreiras, importante município que é chamado popularmente de capital do oeste baiano. Eles participaram da inauguração da ala de radioterapia do Hospital do Oeste, bem como do ato de assinatura da ordem de serviço da ampliação da unidade.

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Apesar da defesa de inocência feita pelo governador, o ex-líder afirmou em entrevista para a Folha de S.Paulo que os valores pagos pelo Banco Master à empresa da família dele devem ser ainda maiores do que os 3,5 milhões de reais apontados pela investigação da PF. Apesar disso, argumentou que o dinheiro tem origem legal e negou ter recebido parte dele.

A PF investiga se Jaques Wagner recebeu vantagens de Augusto Lima, executivo do Banco Master, em troca de atuação parlamentar em favor da instituição financeira. Entre as vantagens estariam um apartamento avaliado em 2,45 milhões de reais e um repasse de 3,5 milhões de reais para uma empresa do enteado do senador. Também teria sido disponibilizado ao senador o uso gratuito de aeronaves, além da entrega de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.

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