Com 30 anos, atriz abandona o próprio celular e banho por novo papel

Imagine abrir mão de confortos básicos do dia a dia, como o uso do aparelho celular e até mesmo um simples banho quente antes de dormir. Para dar vida à personagem Juçara, uma mulher que enfrenta a dura realidade do sistema prisional brasileiro na série Carcereiros, da Globo, uma jovem atriz precisou modificar toda a sua rotina de uma hora para outra. A entrega foi total para retratar a vivência de uma detenta com histórico de dependência química, um desafio que exigiu sacrifícios que poucos profissionais encaram de peito aberto.
A preparação para as câmeras aconteceu em um tempo muito curto, de apenas seis dias, logo após o fim das gravações de outro grande projeto diário na televisão. Nesse período de transição, ela se privou de sair de casa, alterou os hábitos de alimentação e começou a correr na rua para conseguir emagrecer dois quilos. O processo envolveu um intenso isolamento mental e físico. Segundo relato concedido em entrevista ao portal Gshow, o laboratório de atuação foi levado ao extremo: “Uma noite antes de começar a gravar, fiquei no hotel um dia inteiro sozinha”, contou. Os banhos também mudaram de figura. “Tomando banho, eu encostava a cabeça no box e ficava tomando água gelada nas costas porque no presídio é água gelada”, relembrou sobre a imersão na rotina de uma prisão.
Mas quem seria a profissional capaz de se entregar dessa forma a um roteiro? Se trata da mineira nascida na cidade de Ipatinga que agora completa 30 anos de idade: Heslaine Vieira. Conhecida do público desde o início da adolescência, a atriz resume a experiência nos bastidores de Carcereiros de forma bem direta e honesta: “Posso dizer que foi o trabalho mais denso que eu fiz na minha vida”.
A principal inspiração para buscar essa performance realista nas cenas veio de outra atuação elogiada na TV, observando de perto o trabalho e a transformação de Grazi Massafera como a modelo Larissa na novela Verdades Secretas.
Choque de realidade e pesquisa
Para construir Juçara, a imersão de Heslaine não ficou restrita apenas às mudanças do corpo. As informações publicadas pelo Gshow detalham que a atriz mergulhou de cabeça em pesquisas documentais sobre como funcionam os presídios no Brasil.
Durante o estudo, ela notou um retrato social marcante: a maior parte da população carcerária brasileira é negra. Esse fato gerou uma conexão pessoal imediata, trazendo o peso e a importância de se debater a sociedade para dentro do estúdio.
Além disso, ela analisou o papel das mulheres no sistema penal, percebendo que uma grande parcela acaba atrás das grades por tentar ajudar os parceiros amorosos, esbarrando em questões estruturais do país.
Trajetória de sucesso na tela
A construção de personagens com tanta verdade é um reflexo claro da bagagem que a artista carrega consigo ao longo dos anos. De acordo com os dados biográficos registrados na plataforma Wikipédia, a carreira da irmã do também ator Land Vieira teve início em 2006, integrando o elenco da série Filhos do Carnaval, produzida pela HBO. De lá para cá, o currículo apenas cresceu.
Os telespectadores acompanharam seu amadurecimento na pele da protagonista Bianca, no seriado juvenil Pedro e Bianca, e, mais tarde, comemoraram o sucesso de audiência da estudante Ellen Rodrigues, uma das cinco protagonistas de Malhação: Viva a Diferença e da série derivada As Five, grande aposta do catálogo do Globoplay.
Versátil, a atriz também acumula trabalhos importantes na tela do cinema, estrelando produções variadas para o grande público como Meus 15 Anos, A Busca, L.O.C.A. e a famosa trilogia Nosso Tudo Bem. Na programação da TV aberta, provou que consegue transitar por perfis opostos de comportamento ao dar vida à Zayla Maquemba em Nos Tempos do Imperador, trama lançada em 2021.

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