PMDF não esclarece a Moraes como arma deixou casa de Bolsonaro

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) enviou, nesta terça-feira (16/6), ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esclarecimentos sobre os procedimentos adotados para fiscalizar o cumprimento das medidas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a prisão domiciliar humanitária.
Embora tenha descrito os protocolos de fiscalização adotados no local, o ofício não detalha como a arma registrada em nome de Bolsonaro teria deixado a residência monitorada, nem se o transporte do armamento foi comunicado ou registrado pelas equipes responsáveis pela custódia.
O ofício explica que os veículos dos componentes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não são vistoriados no local pelo fato de que não ingressam no interior da residência do ex-presidente.
Na noite dessa segunda-feira (15/6), uma pistola registrada em nome de Jair Bolsonaro foi apreendida durante uma blitz da PM, no Pistão Norte, em Taguatinga (DF). A arma estava com um sargento do Exército que se apresentou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
PMDF detalhou como funciona esquema de fiscalização
No ofício encaminhado à Corte, o diretor do Núcleo de Custódia da PMDF, coronel Cláudio José de Barros, informou que os veículos que deixam a residência do ex-presidente passam por vistorias nos compartimentos internos e nos porta-malas. Segundo ele, as equipes também podem inspecionar mochilas, bolsas e outros objetos transportados.
De acordo com a corporação, os procedimentos são registrados pelas equipes responsáveis, com informações como horário, identificação do veículo, placa, nome do condutor, passageiros e finalidade do deslocamento.
O documento também detalha que visitantes autorizados judicialmente são submetidos a revista prévia e que celulares e outros equipamentos eletrônicos permanecem retidos sob a guarda dos policiais durante o período da visita.
A PMDF informou ainda que os veículos utilizados por agentes do GSI permanecem estacionados em via pública e não acessam a garagem ou a área interna da residência. Por esse motivo, segundo a corporação, eles não são submetidos às mesmas vistorias aplicadas aos veículos que entram ou saem do imóvel.
O que diz o agente do GSI
Em depoimento, o sargento Estácio Leite da Silva Filho afirmou que havia retirado o armamento para realizar um reparo mecânico após identificar uma pane que, segundo ele, seria de simples solução. O problema estaria relacionado ao percussor da arma.
Ainda de acordo com sua versão, o armamento foi retirado na segunda-feira (15/6) e seria devolvido ao proprietário nesta terça-feira (16), após a conclusão do reparo.
Apesar de possuir porte de arma, a situação chamou a atenção dos policiais porque o armamento estava registrado em nome de terceiros. Diante da circunstância, a arma foi apreendida e o caso, encaminhado para análise da Polícia Civil.
O caso foi registrado na 21ª Delegacia de Polícia, que vai apurar as circunstâncias da posse da arma, a regularidade do transporte do armamento e a documentação apresentada pelo militar.
Conforme noticiou o Metrópoles, na coluna Mirelle Pinheiro, a Polícia Civil do DF e a Polícia Federal confirmaram que a pistola Glock 9 mm está registrada em nome do ex-presidente.
Em nota, o GSI afirmou que não realiza a segurança de ex-presidentes. Segundo eles, o GSI oferece apenas a capacitação e a avaliação de servidores e de condutores de veículos, que integram a segurança dos ex-presidentes da República.
Prisão domiciliar
O ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado, Bolsonaro começou a cumprir pena em novembro de 2025.
Metrópoles



