Reino Unido planeja toque de recolher noturno nas redes sociais para adolescentes

Os adolescentes entre 16 e 17 anos no Reino Unido terão que alterar as configurações dos aplicativos de redes sociais para poderem usá-los após a meia-noite, de acordo com novas regras de proteção planejadas pelo governo.
Um mês após anunciar planos para introduzir uma proibição generalizada do uso de redes sociais por jovens menores de 16 anos, o governo informou nessa terça-feira (14) que também planeja um toque de recolher noturno padrão para jovens de 16 e 17 anos.
Os usuários afetados teriam o acesso aos aplicativos bloqueado entre 0h e 6h, a menos que alterem a configuração padrão. Recursos projetados para manter os usuários navegando também devem ser desativados por padrão.
Essas restrições refletem as preocupações globais entre pais e formuladores de políticas sobre a proteção dos jovens contra os efeitos nocivos das redes sociais à saúde mental e física.
“Essas medidas serão cruciais para ajudar os jovens a terem o sono de que precisam, se concentrarem na escola e na faculdade e passarem mais tempo de qualidade com a família e os amigos”, afirmou a ministra da Tecnologia, Liz Kendall.
O ministro da Segurança Online, Kanishka Narayan, declarou que as empresas de tecnologia serão legalmente obrigadas a implementar o toque de recolher. Ele afirmou que as empresas têm a responsabilidade de realizar verificações de idade mais rigorosas e que aquelas que não o fizerem enfrentarão “sanções regulatórias muito severas”.
A Meta, proprietária do Instagram, a ByteDance, controladora do TikTok, e o Google, dono do YouTube, não responderam imediatamente aos pedidos da Reuters por comentários sobre as restrições.
A chefe de política educacional do Partido Conservador, de oposição, Laura Trott, classificou os planos como uma bagunça.
“Ou eles acham que jovens de 16 e 17 anos devem estar nas redes sociais ou não, mas toques de recolher que podem ser simplesmente desativados não vão adiantar nada”, avaliou.
O primeiro conjunto de regulamentações sobre restrições às redes sociais será apresentado ao Parlamento até o final deste ano, com as medidas previstas para entrar em vigor na primavera europeia de 2027 (outuno de 2027 no Brasil), informou o governo.
Uma equipe que assessorou a Austrália —primeiro país a proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos— constatou que as plataformas online estavam enfrentando dificuldades logo na primeira etapa da implementação das verificações de idade, tornando a proibição ineficaz.
No mês passado, o Google e o TikTok chegaram, separadamente, a um acordo em um processo nos EUA movido por um menor que alegava que as plataformas de redes sociais haviam prejudicado sua saúde mental.
Folha de São Paulo>



