Moraes levanta bola para defesa de Lulinha tentar afastar Mendonça de investigação

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Na batalha campal pública que trava contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes deu a senha para que a defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, questione a parcialidade do magistrado indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e tente tirá-lo do cargo.
Na quinta-feira, 3, Moraes tornou públicos relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal que trazem análises apócrifas e de baixa densidade probatória, mas que foram usados pelo magistrado para argumentar que Mendonça deveria ser investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, este último desencadeador de processos de impeachment.
Em um dos relatórios, a PF registra que em 13 de agosto, durante uma reunião presencial com policiais, Mendonça teria desqualificado as suspeitas que pairam contra o ex-prefeito e candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), que recebeu 3,6 milhões de reais do Banco Master e da Reag, e não visto supostos indícios de tráfico de influência do político em defesa dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro.
Para o autor do relatório de inteligência, “a situação fática apurada quanto a ele [ACM Neto] guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”.
Em decisão encaminhada ao presidente do STF Edson Fachin, Alexandre de Moraes afirma que tanto nas investigações do Master quanto na do INSS, a partir da qual se descobriram as traficâncias de Lulinha, “os fatos narrados nos Relatórios de Inteligência indicam que (…) o Ministro André Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”.
Conforme revelou uma série de reportagens de VEJA, Lulinha integrava uma sociedade oculta com a lobista Roberta Luchsinger e com o empresário Fernando Bittar em que prospectavam negócios no governo do presidente Lula e utilizavam da influência do filho mais velho do petista para abrir portas no Executivo. A aliança era tão profícua que Roberta dizia ter ouvido do próprio Lula a oferta para que escolhesse “onde queria ficar” no governo.
Em uma mensagem encaminhada em janeiro de 2024 a um empresário, escreveu: “sabe, fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando”. “Tô em cargo nenhum e ando onde quero”, completou. Por ordem de Mendonça, os sigilos de Fábio Luís, investigado em três inquéritos no STF, foram quebrados.
Em paralelo à briga entre os dois ministros do Supremo, a defesa de Luchsinger deve apresentar nos próximos dias ao STF pedido para que seja anuladas as provas decorrentes do acesso ao celular da lobista sob o argumento de que investigadores a vincularam propositadamente e sem motivo no escândalo do INSS para que conseguissem acessar o telefone dela e, com isso, chegar até Lulinha.
Como não houve quebra de sigilo telefônico de Roberta Luchsinger, ela suspeita que os dados tenham sido fornecidos pela empresa Meta, responsável por arquivar em nuvem diálogos e documentos compartilhados pelo WhatsApp. No acervo de mensagens de empresária em poder da Polícia Federal foram encontradas referências ao presidente da República, a um ministro de Estado, a um ex-ministro do governo Dilma Rousseff, a antigos funcionários da confiança de Lula, a autarquias alvo da cobiça do grupo e muitos diálogos sobre o dia a dia e modus operandi de Fábio Luís Lula da Silva.
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