A reação de Garotinho à decisão que ameaça sua candidatura ao governo do Rio

No dia seguinte à decisão da Justiça do Rio de Janeiro que põe em cheque a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), o ex-governador afirmou, em uma transmissão ao vivo na manhã desta terça-feira, 11, que “não existe possibilidade de o registro ser negado”. O pré-candidato sustenta que já cumpriu o período de suspensão de seus direitos políticos.
Na segunda-feira, 10, o juiz Ricardo Cyfer, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, certificou que uma condenação do ex-governador por improbidade administrativa havia transitado em julgado. O processo aponta o envolvimento de Garotinho no desvio de ao menos R$ 234,4 milhões da Secretaria estadual de Saúde, entre 2005 e 2006, e a utilização de parte do dinheiro para financiar sua campanha presidencial de 2006.
A decisão da Justiça do Rio de Janeiro reconhece o esgotamento das vias de recurso e ordena o cumprimento da suspensão dos direitos políticos por oito anos, a contar da condenação, em 2018. Caberá à Justiça Eleitoral analisar se ele está apto para disputar a eleição.
Na transmissão feita nesta terça em suas redes sociais, Garotinho argumentou que a determinação da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital não o torna inelegível. “Não confundam um pedido com uma decisão. Não há decisão nenhuma”, afirmou o ex-governador. “A decisão que existe hoje é aquela que diz que houve trânsito em julgado em 2018”, completou.
Segundo Garotinho a suspensão de seus direitos políticos está em vigor desde 2018. Nesse cenário, ele estaria elegível, porque a punição já teria expirado. Em nota publicada nas redes, Admar Gonzaga, advogado do pré-candidato, afirma que sua inelegibilidade se exauriu em 31 de julho de 2026.
O pré-candidato do Republicanos argumentou que, nas eleições de 2022, o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação de sua candidatura a deputado federal. “Então, qualquer decisão diferente disso (sua elegibilidade) vai frontalmente contra a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e o que escreveu o próprio Ministério Público”, defendeu Garotinho.
Com exceção de críticas à tramitação do processo na Justiça, Garotinho não entrou em detalhes sobre o desvio dos R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde em 2005. “Não fiz nada do que está ali”, afirmou apenas.
No fim da transmissão, o ex-governador aproveitou a oportunidade para voltar a criticar o pré-candidato do PSD Eduardo Paes pela ausência no debate da Band, no último domingo, 9. “Quem não deve, não teme”, disse. Na ocasião, a campanha de Paes afirmou em nota que o pré-candidato “não vai participar de debates e sabatinas antes do início oficial da campanha e da confirmação dos registros de candidaturas pela Justiça Eleitoral”.
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