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Agroindústria teve retração de 0,3% no primeiro semestre

A agroindústria começou o ano com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes e encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).

Entre os segmentos, os comportamentos foram distintos. Enquanto as indústrias não alimentícias tiveram contração de 2% no semestre, as de alimentos e bebidas cresceram 1,1% no período. Para o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor” no semestre.

A indústria com pior desempenho no semestre foi a de insumos agropecuários (queda de 8,3% na produção). O segmento já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, dado seus “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, explicou o centro de estudos.

Outros segmentos que também tiveram desempenho negativo no semestre foram os de produtos têxteis (-5%) e produtos florestais (-2,4%). Já as indústrias de biocombustíveis tiveram aumento da produção, com alta de 18,1% no semestre, puxadas pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. Também houve alta de 1,6% na produção das indústrias de fumo.

O comportamento das agroindústrias também foi distinto na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres. Entre janeiro e março, o indicador subiu 0,3% em relação ao mesmo período ao ano passado, enquanto entre abril e junho a produção caiu 0,8%.

No segmento de produtos alimentícios e bebidas, todas as indústrias tiveram aumento de produção no primeiro semestre. O destaque foram as indústrias de bebidas alcoólicas e não alcoólicas — ambas cresceram 1,5%. Já a produção das indústrias de alimentos de origem animal subiu 1,3%, puxada por carne e de laticínios.

As indústrias de alimentos de origem vegetal cresceram 0,4% até junho, sustentadas por conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café. Enquanto esse segmento avançou 4,4% no primeiro trimestre, no trimestre seguinte contraiu 2,7%.

Somente em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação anual, a segunda baixa consecutiva.

Para o FGV Agro, a agroindústria deverá ser impactada no segundo semestre do ano pelo preenchimento da cota chinesa para a carne bovina. Isso porque a produção destinada ao país asiático vinha dando fôlego para um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. A interrupção dos embarques de produtos de origem animal à União Europeia, que deve entrar em vigor em 3 de setembro, também deve afetar o indicador.


Globo Rural

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