Ato da esquerda em SP adota discurso religioso após disputa sobre Nossa Senhora Aparecida

A missa de sétimo dia da ativista Amelinha Teles na Catedral da Sé, seguida de um ato em prol das mulheres na praça homônima, no centro de São Paulo, compôs a agenda de candidatos de esquerda no estado, em uma semana na qual a religião virou destaque na campanha.
O candidato ao Governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, afirmou que nem a mãe de Cristo escapou do bolsonarismo e adaptou a oração atribuída por católicos a São Francisco de Assis para pedir votos. “Onde houver Bolsonaro, que levemos Lula. Onde houver Tarcísio, que levemos Haddad”, disse.
No palco montado em frente à catedral, sob o sol forte das 11h deste domingo (27), discursaram também as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet recitou, emocionada, a mesma oração pouco antes. “Jamais imaginei estar viva para ver esse país dividido pela fé”, afirmou. Ao defender o Estado laico, disse ser devota de
Uma notícia falsa que viralizou nas redes sociais nos últimos dias afirmava que Flávio Bolsonaro (PL), se eleito, pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), atendeu a pedido da campanha e determinou a remoção de publicações que tratassem o boato como verdadeiro.
Em discurso, Tebet classificou a decisão de Mendonça como censura, ao afirmar que a medida atingiu publicações do santuário de Aparecida e uma postagem sua, que, segundo ela, não era ofensiva.
Marina, que não foi à missa, apresentou a dobradinha com Tebet como a união de “uma preta, uma branca, uma católica, uma evangélica” e pediu votos para as duas e para Lula.
Haddad chamou de “nojento” o que, segundo ele, os adversários fazem com a fé das pessoas, e rebateu críticas de opositores às candidatas por não serem naturais de São Paulo. Sem citar nomes de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos ao Senado, afirmou que os aliados de Tarcísio fizeram ofensas em debates. “Olha quem está falando”, disse, referindo-se ao fato de o governador de São Paulo ser carioca.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24) mostra Marina com 15% e Tebet com 14% das intenções de voto para o Senado em São Paulo. André do Prado e Derrite têm 12% cada. Os quatro estão empatados na margem de erro.
Na catedral lotada, cuja capacidade é de 8 mil lugares, Haddad sentou-se na primeira fileira ao lado da mulher, Ana Estela Haddad. Também estavam presentes a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Eduardo Suplicy (PT), candidato a deputado federal, e Lu Alckmin, mulher do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
O celebrante foi longamente aplaudido ao falar de Amelinha Teles, que lutou contra a ditadura militar, pelos direitos humanos e, principalmente, em defesa das mulheres.
Folha de São Paulo



