Base de Lula, federação PSOL-Rede define apoio a Kalil, adversário do PT em Minas Gerais

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A Federação PSOL-Rede em Minas Gerais definiu nesta segunda-feira, 10, por quatro votos a três que vai apoiar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao governo do estado. A situação destoa da posição do grupo nacionalmente, já que os dois partidos fazem parte da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) como candidato.
“Após semanas de conversas entre as direções estaduais da Rede e do PSOL em busca de uma posição que preservasse a unidade, a Federação decidiu em votação, pela maioria dos votos, apoiar a candidatura de Alexandre Kalil, preservando ao PSOL a liberdade para manifestar apoio à candidatura de Patrus Ananias. Os votos da Rede foram no sentido do apoio a Kalil, enquanto os votos do PSOL foram pelo apoio a Patrus”, explica uma nota divulgada pela REDE Sustentabilidade.
O movimento da federação visa ao fortalecimento da bancada federal dos dois partidos, que, em consenso, decidiram lançar a candidatura da ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG) ao Senado — cujo espaço na chapa de Kalil seria mais facilitado, visto que o PT só possui mais uma vaga ao Senado e tenta negociar com algum nome de centro ligado ao mercado, para não bater de frente com o eleitorado da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT-MG), que disputa a primeira vaga ao Senado da chapa petista.
A federação também fez duras críticas à condução das articulações no campo progressista, que não conseguiu viabilizar a construção de uma candidatura conjunta ao governo e se viu dividida em três: além de Patrus e Kalil, há ainda a candidatura centrista do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). Para a cúpula do grupo, a falta desse diálogo foi o que dificultou uma composição unificada.
“Ao optar pelo apoio a Kalil, a federação considera sua capacidade de construir uma candidatura competitiva e dialogar com setores da esquerda e do centro democrático. A avaliação é de que Minas precisa reunir forças em torno de uma alternativa aos rumos adotados no estado nos últimos oito anos, com uma agenda que enfrente os desafios sociais, econômicos e ambientais e se contraponha às diferentes vertentes da extrema direita”, argumenta a nota.
Ainda assim, o texto também destaca “respeito à pessoa, à trajetória de Patrus Ananias e sua contribuição histórica para as políticas públicas, para a agenda social e para o campo democrático brasileiro, razão pela qual foi preservada a liberdade de posicionamento do PSOL em relação à sua candidatura”.
Com a definição, a federação terá três frentes principais: fortalecer a candidatura de Áurea Carolina ao Senado; ampliar sua representação na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados; e contribuir para a construção de um projeto para Minas baseado em democracia, justiça social e desenvolvimento sustentável.
Apesar de a votação ter sido vencida pelo lado da Rede, o presidente do diretório mineiro do PSOL, Cacau Pereira, afirmou a VEJA que o partido tenta reverter a decisão recorrendo ao comando nacional da federação — o que seria feito ainda na noite desta segunda, 10.
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