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Brasil precisa ser estratégico nas relações comerciais com China e Estados Unidos

O embaixador do Brasil no Marrocos, Alexandre Parola, destacou que o plano da China, de reduzir sua dependência de importações, deveria “preocupar imensamente” o Brasil. E coloca sobre o agronegócio brasileiro a tarefa de se reinventar.

“Eles vão conseguir reduzir (a dependência externa). Diversificar parcerias não é mais uma opção. É uma necessidade. Como o Brasil vai fazer se a China passar a comprar metade da soja?”, questionou.

Em sua visão, o Brasil precisa se preparar para um mundo que está ficando mais “perigoso”. E o país não pode mais ser surpreendido por mercados que se fecham ou demandas que se reduzem. “Precisamos nos preocupar, porque o mundo mudou”, pontuou.

Parola avaliou que esse novo momento geopolítico não é passageiro, mas estrutural. E está se formando em torno de dois novos polos globais: os Estados Unidos e a China.

No entanto, diferentemente de outros momentos de disputa entre grandes potências, não se trata de “exportar” regime ou um domínio. O ponto fundamental, neste momento, é estabelecer zonas de conforto para garantir segurança.

Nesta reconfiguração do poder global, o Brasil tem “cartas para jogar”, como a sua relevância em segurança alimentar e energética.

“Se uma das mudanças da volta da geopolítica é que a vantagem comparativa deixou de ser critério e passou a ser a segurança, esses ativos não são só de mercado. São ativos de poder”, afirmou.

O embaixador Braz Baracuhy, especialista em geopolítica, avaliou que é fundamental o Brasil definir que tipo de relação quer ter com Estados Unidos e China. O país precisa fazer valer seu peso na segurança alimentar, energética e também mineral.

“São eixos de inserção internacional que precisam ser considerados. E não é só uma decisão de Estado. É uma decisão de Estado que traz o setor privado junto”, afirmou.

Globalização geoeconômica

Baracuhy disse que a globalização promovida pela integração econômica está dando lugar a uma era de globalização geoeconômica, em que passaram a prevalecer a rivalidade geopolítica e a segurança econômica.

E, ao estabelecerem novos eixos de poder, China e Estados Unidos tentam exercer influência de formas diferentes. A visão americana é de uma Eurásia dividida entre poderes regionais. A chinesa é a dessa região do mundo integrada.

“E isso não é só um problema do Brasil. Todos estão vivendo o mesmo dilema, de como se posicionar nesse jogo internacional”, ressaltou.

O especialista comentou que, atualmente, o Estreito de Taiwan, no Mar da China, ainda tem uma situação relativamente mais tranquila quando comparada com outros pontos do mundo, como Estreito de Ormuz, no Oriente Médio. Mas requer atenção.

“O Estreito de Taiwan é o centro de gravidade da geopolítica global, mas isso não leva a um conflito. Há muitas possibilidades e um incentivo à diplomacia, mas, se as condições mudarem, essa calma, talvez, não permaneça”.


Globo Rural

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