Diagnóstico de Bruna em ‘Quem Ama Cuida’: médica explica aneurisma cerebral e quais sinais acendem o alerta

Um dos núcleos de Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo, trouxe à tona um tema delicado e de extrema importância para a saúde pública: o diagnóstico de aneurisma cerebral recebido pela personagem Bruna, interpretada pela atriz Nanda Marques.
A reviravolta na vida da esposa de Pedro (Chay Suede) acendeu o alerta do público para uma condição silenciosa e potencialmente grave, que muitas vezes não apresenta sintomas até o momento de sua ruptura. No folhetim, Bruna descobre que sofre de um aneurisma cerebral inoperável após inúmeros episódios de mal-estar.
Entender as causas, os fatores de risco e os principais sinais do corpo é fundamental para buscar atendimento médico precoce e garantir um tratamento eficaz.
meu deus gente????
a Bruna passando mal 😣#QuemAmaCuida #TVGlobo pic.twitter.com/QsxkMqrVyq— TV Globo (@tvglobo) July 21, 2026
O que é um aneurisma?
Um aneurisma cerebral é uma dilatação localizada de uma artéria intracraniana, geralmente em regiões de bifurcação dos vasos, onde o fluxo sanguíneo exerce maior impacto sobre a parede arterial.
De acordo com a Dra. Lorena Bochenek, neurologista do Hospital Mater Dei Goiânia, embora muitas pessoas convivam com aneurismas sem jamais apresentar sintomas, alguns possuem características que aumentam significativamente o risco de ruptura, tornando fundamental uma avaliação individualizada por um neurologista e por uma equipe de neurocirurgia vascular.
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Quais são os sinais de alerta do aneurisma?
Em entrevista à CARAS Brasil, a neurologista explica que, na maioria dos casos, o aneurisma não roto não provoca sintomas e costuma ser descoberto incidentalmente durante exames realizados por outros motivos. Quando há manifestações clínicas, elas podem ocorrer por compressão de estruturas próximas, levando a:
- Dor de cabeça localizada e persistente;
- Dor atrás dos olhos;
- Visão dupla ou visão borrada;
- Queda da pálpebra;
- Dilatação da pupila;
- Alterações em nervos cranianos.
“O principal sinal de alerta é a ruptura do aneurisma. Nessa situação, o paciente apresenta uma cefaleia súbita e extremamente intensa — frequentemente descrita como ‘a pior dor de cabeça da vida’ — podendo estar associada a náuseas, vômitos, rigidez na nuca, perda de consciência, convulsões e déficits neurológicos. Trata-se de uma emergência médica que exige atendimento imediato“, explica Dra. Lorena Bochenek.
Como se dá o diagnóstico de aneurisma?
“O diagnóstico depende da apresentação clínica. Nos casos de suspeita de ruptura, a tomografia computadorizada de crânio é o primeiro exame, por permitir identificar rapidamente a presença de sangramento“, esclarece a neurologista.
Ainda de acordo com Dra. Lorena, após a confirmação do diagnóstico, ou quando há suspeita de aneurisma não roto, o profissional da saúde pode indicar exames vasculares, como:
- Angiotomografia cerebral;
- Angiorressonância magnética;
- Angiografia cerebral por cateter, considerada o padrão-ouro para definir com precisão a anatomia do aneurisma e orientar o tratamento.
Quais são as opções de tratamento disponíveis para aneurisma?
Quanto às formas de combater o problema, a especialista destaca que a medicina evoluiu e conta com caminhos bem definidos para evitar complicações mais graves: “Hoje dispomos de duas grandes estratégias terapêuticas. A primeira é a microcirurgia com clipagem, em que um clipe metálico é colocado na base do aneurisma para interromper sua circulação“, conta Dra. Lorena Bochenek.
“A segunda é o tratamento endovascular, realizado por cateter, sem abertura do crânio. Entre as técnicas estão: Embolização com espirais (coils); stents intracranianos e dispositivos desviadores de fluxo (flow diverters), que revolucionaram o tratamento de aneurismas complexos“, acrescenta.
A médica ainda ressalta que o diagnóstico não significa necessariamente uma cirurgia imediata, já que a estratégia pode envolver apenas o monitoramento constante: “Nem todo aneurisma necessita de tratamento imediato. Em alguns casos, especialmente quando pequenos e de baixo risco, a melhor conduta é o acompanhamento periódico com exames de imagem e controle rigoroso dos fatores de risco, como hipertensão arterial e tabagismo“, explica.
O que classifica um aneurisma como ‘inoperável’?
Questionada sobre quando o aneurisma é considerado inoperável, como é o caso de Bruna (Nanda Marques) em Quem Ama Cuida, a especialista desmistifica o termo: “Na prática médica, evitamos utilizar o termo ‘inoperável’ de forma absoluta“, explica.
“Na maioria das vezes, significa que o risco da intervenção supera o benefício naquele momento. Isso pode ocorrer quando o aneurisma apresenta características como: localização em regiões profundas ou de difícil acesso; envolvimento de artérias fundamentais para o funcionamento cerebral; formato muito complexo ou gigante; calcificação intensa ou trombos no interior do aneurisma e condições clínicas do paciente que aumentam excessivamente o risco cirúrgico“, completa
Como a medicina vem avançando para lidar com casos de alto risco?
A especialista reforça que as novas tecnologias da medicina têm garantido tratamentos mais seguros e eficientes: “A evolução da neurorradiologia intervencionista transformou o tratamento dos aneurismas cerebrais. Dispositivos como os desviadores de fluxo, stents de última geração e novas técnicas de embolização ampliaram significativamente as possibilidades terapêuticas para aneurismas complexos, reduzindo morbidade e mortalidade em pacientes que antes possuíam poucas alternativas“, conta.
Segundo Dra. Lorena Bochenek, a abordagem para cuidar de um aneurisma cerebral é cada vez mais individualizada e busca equilibrar os riscos do procedimento com o perigo real de uma ruptura. O foco da medicina não está em operar todas as lesões diagnosticadas, mas em identificar quais quadros oferecem um risco efetivo à saúde do paciente, permitindo escolher a conduta mais segura e adequada para cada situação.
“O aneurisma cerebral não deve ser encarado como uma sentença, mas como uma condição que exige avaliação especializada. Com os avanços da neuroimagem e das técnicas endovasculares, conseguimos oferecer tratamentos cada vez mais seguros e individualizados, reduzindo significativamente o risco de complicações e melhorando o prognóstico dos pacientes“, conclui a neurologista.
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