Política

Clima de apreensão toma conta da campanha de Lula

Apesar de ser um notório otimista, Lula nunca achou que teria vida fácil na campanha eleitoral deste ano, na qual busca conquistar seu quarto mandato presidencial. A força do antipetismo e o alto nível de rejeição ao mandatário, entre outros fatores, prenunciavam desde sempre uma disputa acirrada, tal qual a de 2022, quando ele derrotou Jair Bolsonaro por uma diferença de apenas 1,8 ponto percentual ou 2,1 milhões de votos.

Mesmo cientes das dificuldades, aliados de Lula esperavam que ele ganhasse fôlego e crescesse nas pesquisas de intenção de voto no decorrer da campanha, principalmente a partir do uso da máquina pública e do caixa da União. Foi o que ocorreu com outros candidatos à reeleição. A regra, por sinal, é a popularidade do governante crescer a passos largos em ano eleitoral, o que não está ocorrendo agora com o petista. Daí a frustração e a preocupação.

Em dezembro de 2021, por exemplo, a gestão de Bolsonaro era considerada ruim ou péssima por 53% e ótima ou boa por 22%, segundo o Datafolha. O então presidente recorreu a um pacote bilionário de bondades e — antes do primeiro turno de 2022 contra Lula — sua avaliação positiva já estava em 38%, empatada com a negativa, em 39%. Ou seja, a aprovação do capitão cresceu 16 pontos percentuais no período, enquanto a reprovação caiu catorze pontos.

Quase como uma exceção à regra, Lula está empacado, mesmo depois de anunciar medidas estimadas em mais de 200 bilhões de reais. Em dezembro do ano passado, o governo dele era considerado ruim ou péssimo por 37% e ótimo ou bom por 32%. Agora, conforme o mais recente levantamento do Datafolha, a avalição negativa está em 41% (quatro pontos a mais) e a positiva em 33% (um ponto a mais). Não parece existir mágica capaz de lustrar o imagem do presidente.

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Agenda negativa

Em função do cargo, presidentes da República costumam pautar o debate, o que é uma senhora vantagem no embate político. Lula, no entanto, tem fracassado nessa missão. Ele não tem mais a capacidade de mobilização de outrora e não consegue transformar iniciativas que considera estratégicas em agendas positivas de ampla repercussão.

O presidente, que deveria ser o protagonista do noticiário, vive a reboque dos fatos. Algumas de suas iniciativas, como uma nova rodada de renegociação das dívidas das famílias, até tiveram um efeito positivo, mas efêmero, e logo deram lugar a problemas antigos, como a reclamação com o custo de vida, as suspeitas envolvendo o empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, ou a criminalidade.

No entorno do presidente, muitos concordam com a tese de que Lula sofre de fadiga de material: suas propostas são vistas como ultrapassadas e sua imagem está desgastada depois de três mandatos. Assessores reconhecem que uma fatia considerável do eleitorado se cansou do presidente. E que, mesmo se pudesse gastar livremente, ele não conseguiria reverter essa situação. Por um motivo simples: como Lula não tem um projeto ou definiu um rumo a ser seguido, ninguém sabe o que fazer. A campanha vive de improvisos e sobressaltos.

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Depois de sonhar com uma improvável vitória no primeiro turno, os governistas trabalham cada vez mais com a possibilidade de uma derrota no segundo turno. A preocupação só não é maior porque, pelas sondagens atuais, o presidente enfrentará na rodada final Flávio Bolsonaro, que enfrenta desafios parecidos aos de Lula — da rejeição estratosférica à mais completa falta de ideias.

 

 

 

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