Entenda o que é a Lei da Reciprocidade e como ela pode ser aplicada contra os EUA

Os Estados Unidos impõem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, reacendendo o debate sobre a Lei da Reciprocidade Econômica como possível ferramenta de resposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sancionada em abril de 2025, a norma permite ao Brasil aplicar contramedidas comerciais contra países que estabeleçam barreiras prejudiciais à competitividade nacional. A medida americana pode afetar 36,5% das exportações do agronegócio nacional para aquele mercado, segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O que aconteceu
- Os Estados Unidos impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, afetando exportações do agronegócio e reativando discussão sobre a Lei da Reciprocidade Econômica.
- O presidente Lula, sem detalhar, indica que o governo responderá às ações dos EUA, reforçando discurso de soberania e não aceitação de pressões externas.
- A Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais contra países ou blocos que imponham barreiras prejudiciais.
A legislação voltou ao centro do debate após Washington confirmar a aplicação da sobretaxa sobre produtos brasileiros. Nesta sexta-feira, 17, Lula evitou antecipar quais medidas poderão ser adotadas, mas indicou que o governo responderá às ações dos Estados Unidos. “Vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei”, afirmou o presidente durante agenda no Rio de Janeiro.
O petista também reforçou o discurso de soberania e afirmou que o Brasil não aceitará pressões externas. “Esse país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil”, declarou.
O que estabelece a lei da reciprocidade econômica?
A Lei nº 15.122 estabelece mecanismos para que o Poder Executivo possa reagir quando outro país ou bloco econômico adotar medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira ou interfiram em decisões consideradas soberanas do Brasil.
A norma prevê que a legislação pode ser aplicada quando houver, por exemplo:
- medidas comerciais ou financeiras unilaterais que pressionem o Brasil a alterar políticas públicas;
- ações incompatíveis com acordos internacionais de comércio;
- exigências ambientais consideradas mais rigorosas do que aquelas previstas na legislação brasileira, caso prejudiquem a competitividade dos produtos nacionais.
Na prática, a lei funciona como um instrumento de defesa comercial, permitindo que o governo brasileiro reaja caso entenda que outro país esteja adotando restrições consideradas injustificadas.
Quais contramedidas o brasil pode adotar?
A legislação autoriza o governo federal a aplicar diferentes tipos de contramedidas. Entre elas estão a criação de tarifas sobre produtos importados do país que adotou a restrição comercial, a suspensão de concessões comerciais, limitações relacionadas a investimentos e, em situações excepcionais, até mesmo a suspensão de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual.
A própria lei determina, entretanto, que essas respostas devem ser proporcionais ao impacto econômico causado pelas medidas estrangeiras e buscar minimizar efeitos negativos para a economia brasileira.
Outro ponto importante é que a legislação estabelece que, antes da adoção definitiva das contramedidas, devem ser realizadas consultas diplomáticas e consultas públicas com os setores afetados. Em casos considerados excepcionais, o Poder Executivo também pode adotar medidas provisórias enquanto as negociações seguem em andamento.
Como a lei pode impactar as relações com os estados unidos?
Caso o governo brasileiro conclua que a tarifa imposta pelos Estados Unidos se enquadra nas hipóteses previstas pela Lei da Reciprocidade Econômica, poderá adotar restrições equivalentes sobre produtos ou serviços americanos ou suspender benefícios concedidos ao país, respeitando os critérios estabelecidos na legislação.
Apesar dessa possibilidade, integrantes do governo afirmam que a prioridade continua sendo a negociação diplomática. Nos bastidores, o Itamaraty mantém diálogo com autoridades americanas para tentar reverter a decisão antes da adoção de qualquer medida de retaliação.
Ao mesmo tempo, a equipe econômica também estuda alternativas para reduzir os impactos sobre as empresas exportadoras brasileiras, incluindo ações de apoio ao setor produtivo e a ampliação de mercados na Ásia, Europa e Oriente Médio.
A Lei da Reciprocidade Econômica prevê, inclusive, que as contramedidas poderão ser alteradas ou suspensas caso as negociações diplomáticas avancem ou o cenário comercial seja modificado, reforçando que o objetivo da norma é servir como instrumento de negociação e proteção da economia brasileira, e não apenas de retaliação.
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