Espanha tem mais que o dobro da quilometragem da França na Copa de 2026

Muito antes do início da Copa do Mundo, quando as seleções principais definiram suas bases, Didier Deschamps ficou satisfeito com as instalações em Boston. “[A base] não é onde se ganham os jogos, mas é onde pode perdê-los”, filosofou o professor francês.
De fato, nenhum jogador dos Bleus pode colocar a culpa por uma possível má atuação no jet lag. A França é a seleção com a menor quilometragem entre os quatro semifinalistas do Mundial, com apenas 3.985 km e apenas uma viagem longa.
Na outra ponta, a Espanha superou a Inglaterra como a seleção campeã de milhagem, com 10.400 km. A Fúria deixou os ingleses para trás justamente com o último trecho, fazendo o percurso de Los Angeles até Dallas para encarar os franceses.
Essa quilometragem aproximada é calculada apenas entre as distâncias dos locais de jogos, sem considerar o deslocamento de vaivém entre estádio e base de cada equipe.
No caso da França, a viagem nesta semifinal para enfrentar a Espanha, nesta terça-feira (14), é o primeiro grande deslocamento de Mbappé e companhia.
Depois de passar todos os seis jogos no conforto da costa leste, com dois jogos em Nova Jersey, dois na Filadélfia e dois em Boston, finalmente os franceses vão conhecer a área mais central dos Estados Unidos, com o confronto por uma vaga na final em Dallas (Texas).
Ainda assim, com menos de 4.000 km, toda a quilometragem francesa representaria pouco mais que uma viagem do Remo para jogar na Arena do Grêmio ou no Beira-Rio pela Série A do Brasileiro.
Enquanto isso, a Espanha encerrou a primeira fase da Copa com um confronto em Guadalajara, contra o Uruguai. De lá, foram para a costa oeste americana para encarar a Áustria, em Los Angeles.
Foi quando os espanhóis iniciaram a antes desconhecida ponte aérea (nada curta) entre LA e Dallas. Contra Áustria? LA. Jogo com Portugal? Dallas. Diante da Bélgica? LA. E agora, contra a França, você já sabe onde.
Nenhuma viagem espanhola no mata-mata teve menos que 2.000 km. O mais perto que a seleção de Yamal chegou de Nova Jersey, que abrigará também a final, foi quando visitou Atlanta (duas vezes) na primeira fase.
Quem também passou pelo MetLife Stadium, palco da decisão, foi a Inglaterra, na última partida do Grupo L.
De lá, o English Team fez uma parada em Atlanta para enfrentar a República Democrática do Congo antes de seguir para a batalha no Estádio Azteca, contra o México. Além da longa distância, os comandados de Thomas Tuchel tiveram outros perrengues a enfrentar. Se os espanhóis foram ao país latino para enfrentar os uruguaios, os ingleses tiveram que encarar os donos da casa em jogo de mata-mata.
Antes daquele duelo, o técnico alemão distribuiu reclamações. “Não sei se a viagem será totalmente tranquila, se o sono de todos os jogadores será totalmente tranquilo, se haverá muito barulho fora do hotel…”, enumerou.
Curiosamente, o desgaste físico provocado pela vitoriosa partida no México é visto por muitos como a casca que a seleção da dupla Kane/Bellingham precisava para se encaminhar para as finais.
A distância de Miami, onde derrotou a Noruega, para Atlanta, cidade em que enfrentará a Argentina pela semifinal, será a menor percorrida pelos ingleses no mata-mata, com cerca de 975 km. Com 9.235 km no total, a Inglaterra só foi ultrapassada pela Espanha graças à última perna, mais curta.
Rivais dos ingleses, os argentinos chegaram para o mata-mata após tranquilos 707 km na primeira fase —agora aumentaram o total para 5.682 km. Sua grande viagem foi quando tiveram que ir de Dallas (onde pegaram a Jordânia) para Miami, no dramático jogo contra Cabo Verde pela fase de 32 —apesar da lonjura, a cidade é a casa de Messi, camisa 10 do Inter Miami.
Nos últimos duelos, a seleção de Lionel, o Scaloni, fez escalas em Atlanta, Kansas e, para a semifinal contra a Inglaterra, de volta a Atlanta. Assim como os espanhóis, os argentinos ainda não viram o estádio da final, mas podem se encontrar por lá.
Esporte / Folha de São Paulo



