Yamal ironiza críticas sobre seu desempenho na Copa: ‘Não esperem nada de mim’

Lamine Yamal concedeu, na tarde de segunda-feira (13), uma concorrida entrevista no AT&T Stadium, em Arlington, palco da partida da Espanha contra a França na terça (14). No dia em que completou 19 anos, entre risos espontâneos e afetados sorrisos irônicos, apontou o confronto, pelas semifinais da Copa do Mundo, como o mais importante de sua carreira.
O atacante voltou, a seu estilo, a demonstrar confiança no próprio taco. Questionado por ter apenas um gol no torneio até aqui –contra, por exemplo, oito de Kylian Mbappé, seu adversário da vez–, adotou um tom sarcástico. Diante de repetidas perguntas sobre a pressão do momento, respondeu que não há..
“Vocês mesmo dizem que não estou no melhor nível. Então, não há pressão. Vocês não têm que esperar nada de mim. Mas estou seguro de que amanhã vai ser um dia especial”, avisou. “Não me preocupam os gols, mas é sempre especial marcar em jogos assim, obviamente. Como falei, que amanhã seja um dia especial.”
Ele observou que “há situações muito mais difíceis na vida do que uma partida de futebol“. “Então, sempre penso em ficar tranquilo, que nada vai acontecer. No final, é uma partida, são jogadas. Depois, cada um vai seguir com sua vida. Estou tranquilo, em paz”, acrescentou.
Foi nesse tom também que tratou a repercussão de suas declarações após a vitória sobre a Bélgica nas quartas de final. Questionado sobre um possível temor em relação à França, de ótima campanha até aqui, respondeu na ocasião que não tinha medo. “Se eles têm que temer alguém, somos nós”, afirmou, citando as vitórias nos dois mais recentes confrontos.
Yamal voltou ao tema nesta segunda e disse não ter se surpreendido com a repercussão, que tomou parte considerável do noticiário do duelo. Horas antes, ele havia sido defendido pelo lateral direito Jules Koundé, da França, que é seu companheiro de Barcelona.
“Perguntaram se a França me dava medo. Eu disse que não, obviamente não. Somos os campeões da Europa, não tenho medo de nenhuma partida. Então, como disse o Koundé, é futebol, e vamos em frente”, afirmou.
O jovem não ouviu só perguntas que o incomodaram. Recebeu uma porção de felicitações pelo aniversário e oportunidades para falar sobre o irmão Keyne, de quatro anos, cujas imagens torcendo pela Espanha ficaram famosas. Aí, sorriu largamente.
O atacante voltou a mostrar algum desconforto quando indagado sobre as declarações do ex-premiê espanhol Mariano Rajoy, que elogiou o plantel “de altíssimo nível” da França, “mas sem franceses”, em frase amplamente considerada racista. Apesar do incômodo, deu uma resposta firme.
“Bom, creio que vamos jogar uma das partidas mais bonitas que podem ser disputadas em um Mundial, é o jogo que todos queriam ver. Não creio que haja espaço para falar de outro assunto, mas o futebol serve para integrar a sociedade. A França e nós também somos exemplos de integração. O futebol, afinal, é isso.”
Esporte / Folha de São Paulo



