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EUA anunciam pacote para apoiar pecuaristas e ampliar rebanho bovino



O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta segunda-feira (31/8) um pacote de medidas voltado à recomposição do rebanho bovino americano, atualmente no menor nível em 75 anos. A medida foi chamada de Ranchers First Initiative.

Entre as ações, descritas em uma nota à imprensa, está a criação de um mecanismo de seguro para incentivar a retenção de novilhas para reprodução, além da ampliação do acesso a programas de recuperação de pastagens e infraestrutura atingidas por incêndios e outros desastres naturais.

No comunicado, a secretária de Agricultura do país, Brooke L. Rollins, afirmou que a medida procura favorecer produtores americanos em um mercado dominado por estrangeiros.

“Estamos investindo dinheiro de verdade para recompor o rebanho bovino americano, oferecendo aos produtores as ferramentas de gestão de risco de que precisam, reduzindo a burocracia que tem sufocado os pequenos produtores e os operadores independentes e exigindo transparência em um mercado que há muito tempo está consolidado e sob controle estrangeiro”, disse.

Na última sexta-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, postou em uma rede social que havia autorizado a elaboração de documentos legais para que agricultores e pecuaristas do país tivessem o direito de processar seus próprios alimentos.

“Há anos venho ouvindo que enfrentam um problema enorme com as grandes processadoras, que muitos consideram um monopólio desonesto”, afirmou Trump na rede social. “Existem, essencialmente, quatro deles — um número que não promove a concorrência”, continuou o presidente americano.

Trump disse ainda que a medida buscaria “quebrar esse poderoso monopólio, cuja propriedade está, em grande parte, sediada fora dos EUA”. A JBS e a MBRF, controladora da National Beef, estão entre as empresas controladas por não americanos com operação nos Estados Unidos.

No comunicado divulgado nesta segunda-feira, o USDA também disse que pretende fortalecer frigoríficos pequenos e regionais, por meio de linhas de crédito e iniciativas para aumentar a capacidade de processamento. O departamento afirmou que quase 20% da capacidade de processamento de carne bovina ficará disponível à medida que o rebanho se recompõe.

Outra medida prevê priorizar a compra de carne bovina americana processada localmente em instituições públicas, como presídios e hospitais. O pacote também inclui iniciativas para apoiar novos produtores rurais e veteranos interessados em ingressar na pecuária.

A medida dá continuidade ao plano anunciado pelo USDA em outubro de 2025 para fortalecer a indústria americana de carne bovina, que foi seguido de algumas iniciativas desde o início do ano.
Críticas à importação
O anúncio do pacote de medidas se deu após Trump sofrer uma série de críticas de entidades de pecuaristas dos EUA, contrariadas com a decisão da Casa Branca de ampliar em 300 mil toneladas as importações de carne bovina no país durante 90 dias.
A American Farm Bureau Federation (AFBF), uma das principais entidades de representação dos produtores rurais dos Estados Unidos, classificou a importação como “um golpe contra a agricultura do país”.
O governo Trump alegou que o incentivo à importação tinha como objetivo reduzir os preços da carne moída, mas a AFBF afirmou em comunicado que a medida poderá prejudicar ainda mais a oferta doméstica de alimentos no longo prazo.


Globo Rural

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