Saúde

Exercícios linfáticos são benéficos, mas nem sempre combatem o inchaço

O universo do bem-estar exalta há anos os benefícios da drenagem linfática. Alguns influenciadores promovem práticas como a automassagem e a escovação a seco, alegando que esses métodos podem desintoxicar e desinchar o corpo ao melhorar a circulação da linfa, líquido que circula no sistema linfático.

Agora, pessoas nas redes sociais sugerem rotinas específicas de exercícios que, segundo elas, podem ser especialmente úteis para drenar esse líquido e reduzir inchaço e distensão abdominal.

Um exercício que está em alta, chamado de “caminhada linfática”, consiste simplesmente em caminhar de forma relaxada, prestando atenção à postura e à respiração, deixando braços e mãos balançarem livremente. Outro é o “rebounding”, que consiste em saltar no mesmo lugar ou em uma cama elástica. Alguns influenciadores também promovem rotinas específicas de alongamentos dinâmicos para a drenagem linfática.

Essa repercussão nas redes sociais pode refletir um interesse crescente da medicina pelo sistema linfático, afirma Marc Miller, fisioterapeuta especializado em saúde linfática do MD Anderson Cancer Center, em Houston.

“O sistema linfático é um assunto em alta neste momento” entre os pesquisadores, diz ele, em parte devido aos avanços tecnológicos no mapeamento desse sistema.

Miller acrescenta, porém, que algumas nuances importantes muitas vezes se perdem nas discussões nas redes sociais. Se o seu sistema linfático é saudável, não há evidências de que determinados exercícios sejam mais ou menos eficazes para mantê-lo assim, embora a atividade física tenha, sim, um papel importante.

O que é o sistema linfático?

O sistema linfático é uma complexa rede de vasos e gânglios que ajuda a manter o equilíbrio de líquidos em todo o corpo e dá suporte ao sistema imunológico. Os vasos transportam a linfa.

Quando o corpo combate uma infecção, o sistema linfático recolhe fragmentos de bactérias ou vírus e os transporta até os gânglios linfáticos, que funcionam como filtros e ajudam o sistema imunológico a combatê-los, explica Tiana Woolridge, médica especialista em medicina esportiva do Hospital for Special Surgery, em Nova York.

Diferentemente do sistema cardiovascular, que depende do coração para manter o sangue circulando, o sistema linfático não possui uma bomba central. Em vez disso, depende das contrações musculares —provocadas pelo movimento, pela respiração e até pela digestão— para comprimir os vasos e movimentar a linfa pelo corpo.

O sistema linfático da maioria das pessoas funciona sem problemas, afirma Jason Wheeler, especialista em medicina vascular da Cleveland Clinic. Algumas, porém, desenvolvem um distúrbio chamado linfedema, no qual a linfa se acumula em uma ou mais partes do corpo.

A probabilidade de desenvolver linfedema é maior após algum tipo de dano ao sistema linfático causado por lesão, cirurgia ou tratamento contra o câncer, mas tabagismo, obesidade e idade avançada também são fatores de risco. Uma parcela muito menor nasce com uma condição genética que impede o sistema linfático de fazer a drenagem adequadamente.

Wheeler afirma que sentir-se inchado ou com distensão abdominal não significa necessariamente ter linfedema. Muitas pessoas apresentam esses sintomas ao longo do dia em resposta à alimentação, à má qualidade do sono, ao clima e a outros fatores ambientais.

Como o exercício afeta a drenagem linfática?

Uma vez que as contrações musculares impulsionam o sistema linfático, qualquer tipo de exercício ou movimento é benéfico.

Em geral, os especialistas fazem para a saúde linfática as mesmas recomendações básicas de atividade física para a saúde como um todo: 150 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada e pelo menos duas sessões semanais de treinamento de força.

Quanto mais fortes forem os músculos, maior será sua capacidade de bombear a linfa, afirma Wheeler. De modo geral, quanto mais os músculos se contraem durante atividades aeróbicas como caminhar, correr ou pedalar, maior é o apoio dado ao sistema linfático para mantê-lo em circulação.

Além desses princípios básicos, “o que realmente importa é manter uma rotina consistente de movimento ao longo do dia”, afirma Kelly Sturm, fisioterapeuta de Minneapolis especializada em saúde linfática.

Ainda assim, se uma pessoa com o sistema linfático saudável quiser experimentar um exercício de caminhada ou de saltos divulgado como “linfático”, há poucas desvantagens, diz ela.

A respiração profunda e diafragmática, incorporada a alguns dos chamados exercícios linfáticos promovidos na internet, também pode ajudar na circulação da linfa.

Em última análise, “o movimento é um remédio, seja qual for o aspecto da saúde de que estejamos falando”, afirma Woolridge. Se o objetivo de cuidar da saúde linfática fizer você se exercitar, todo o seu corpo será beneficiado.

Informação

Folha de São Paulo

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