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Igor Marques une cirurgia da face, escuta e pesquisa sobre dor

A face concentra funções essenciais do dia a dia, como falar, mastigar, respirar e sorrir, mas também carrega aspectos ligados à identidade e à autoestima. É nessa região, onde técnica e sensibilidade caminham lado a lado, que Igor Leitão Marques desenvolve sua atuação como cirurgião-dentista e cirurgião bucomaxilofacial. Entre o consultório, o centro cirúrgico e a pesquisa científica, ele acredita que um bom tratamento começa com um diagnóstico preciso, mas só se completa quando o paciente compreende o próprio processo de cuidado.

Natural de São Paulo e ligado ao ABC Paulista desde a infância, Igor cresceu em uma família marcada pela área da saúde. Filho de um pediatra conhecido na região, conviveu desde cedo com o universo médico, embora tenha encontrado seu próprio caminho por meio da odontologia.

“Eu sempre quis exercer a odontologia. Na faculdade, conheci a cirurgia bucomaxilofacial e me encantei. A partir dali, minha atuação tomou outro caminho, muito mais ligada ao ambiente hospitalar e às cirurgias da face”, relembra.

Uma trajetória entre odontologia e cirurgia

A residência em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial consolidou sua escolha profissional. A rotina passou a incluir plantões hospitalares, procedimentos de alta complexidade e o atendimento de pacientes com traumas faciais, alterações congênitas, tumores, dores crônicas e distúrbios funcionais.

Segundo Igor, embora a especialidade ainda seja frequentemente associada apenas à extração de dentes do siso, seu campo de atuação é muito mais amplo.

“A cirurgia bucomaxilofacial trata fraturas de face, disfunções temporomandibulares, alterações como prognatismo e micrognatismo, tumores da cavidade oral, mandíbula e maxila. É uma especialidade que acompanha o paciente desde situações de trauma até condições congênitas.”

Mesmo tendo nascido na capital paulista, foi em São Caetano do Sul que consolidou sua carreira e recebeu o título de cidadão sul-caetanense pelos serviços prestados ao município. Também buscou aperfeiçoamento internacional nos Estados Unidos, Espanha, Portugal e Alemanha, com foco em técnicas cirúrgicas minimamente invasivas.

Quando função e autoestima caminham juntas

Na cirurgia bucomaxilofacial, aspectos funcionais e estéticos frequentemente caminham lado a lado. Um dos exemplos é a cirurgia ortognática, indicada para corrigir alterações entre mandíbula e maxila que comprometem a mordida, a mastigação e o equilíbrio da face.

“A cirurgia ortognática é funcional. Quando posicionamos corretamente as bases ósseas, melhoramos a mordida e, em muitos casos, também promovemos maior harmonia facial. Por isso, todo o planejamento precisa ser extremamente cuidadoso.”

Antes da cirurgia, cada paciente passa por avaliação clínica, exames de imagem, planejamento virtual e, quando necessário, preparo ortodôntico. Para Igor, a tecnologia trouxe mais previsibilidade aos procedimentos, mas não substitui a experiência clínica.

“Hoje trabalhamos com planejamento cirúrgico virtual. Aquilo que simulamos no modelo digital precisa fazer sentido durante a cirurgia. A tecnologia aumenta a previsibilidade, mas continua exigindo diagnóstico, experiência e responsabilidade.”

Mesmo diante desses avanços, ele destaca que a comunicação continua sendo parte essencial do tratamento.

“O paciente é leigo e não sabe exatamente o que vai enfrentar. Cabe ao cirurgião explicar cada etapa com clareza, sem criar expectativas irreais e respeitando os limites de cada caso.”

O desafio de compreender a dor

Grande parte de sua atuação está voltada às disfunções temporomandibulares (DTM), alterações que acometem a articulação responsável pelos movimentos da mandíbula e podem provocar dor, estalos, limitação de abertura bucal, dores de cabeça e desconforto próximo ao ouvido.

Segundo Igor, trata-se de uma condição multifatorial, que pode envolver fatores musculares, articulares, bruxismo, apertamento dentário, ansiedade e outros aspectos que exigem avaliação individualizada.

“A DTM é multifatorial. Não basta olhar apenas para a dor; é preciso entender o que sustenta aquele quadro, como bruxismo, ansiedade e alterações musculares ou articulares.”

Muitas vezes, os pacientes percorrem diferentes especialidades antes de chegar ao diagnóstico correto.

“A proximidade da articulação temporomandibular com o ouvido faz com que muita gente procure inicialmente um otorrinolaringologista ou neurologista. Em alguns casos, a origem da dor está justamente na articulação ou na musculatura da mastigação.”

Pesquisa e novas possibilidades de tratamento

O interesse pelo tratamento da dor também levou Igor à pesquisa sobre o uso de canabinoides nas disfunções temporomandibulares e nas dores orofaciais. Ele participa de estudos científicos sobre o tema e ressalta que essa abordagem deve ser considerada apenas em situações específicas, sempre com indicação individualizada e acompanhamento profissional.

“O uso dos canabinoides nas disfunções temporomandibulares já integra discussões científicas e práticas clínicas em casos selecionados. Mas essa abordagem precisa estar nas mãos de profissionais capacitados, que conheçam as diferentes formulações e saibam avaliar cada paciente.”

Ele também chama atenção para a necessidade de diferenciar o uso medicinal do uso recreativo.

“No cuidado em saúde, é preciso falar em dose, indicação, acompanhamento e produtos com controle de qualidade. Quando esses critérios não são respeitados, o paciente pode ser exposto a riscos desnecessários.”

Além dessa linha de pesquisa, Igor desenvolve estudos relacionados ao uso de ácido hialurônico na articulação temporomandibular e à viscossuplementação com plasma rico em fibrina, buscando alternativas cada vez mais precisas e menos invasivas para o tratamento da dor.

Ciência, empatia e legado

No consultório, Igor acompanha pacientes que convivem há anos com dores persistentes e que, muitas vezes, chegam desanimados após diferentes tentativas de tratamento. Para ele, esse cenário exige não apenas conhecimento técnico, mas também empatia e construção conjunta do plano terapêutico.

“Quando uma pessoa está com dor, ela não está bem. Eu procuro me colocar nesse lugar e mostrar que o tratamento depende de uma construção conjunta. O profissional tem responsabilidades, mas o paciente também participa desse processo.”

Pai de um bebê, Igor afirma que a chegada do filho também transformou sua maneira de enxergar a profissão e o legado que deseja construir.

Ao olhar para o futuro, acredita que a evolução da odontologia e da medicina passa pelo desenvolvimento científico, pela incorporação responsável de novas tecnologias e por uma assistência cada vez mais humanizada.

“A medicina e a odontologia avançaram muito. Quando uma doença ainda não tem cura, muitas vezes já existem caminhos para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O paciente não deve perder a esperança; há profissionais e pesquisadores trabalhando diariamente para encontrar respostas cada vez melhores”, conclui.

CRO-SP: 102115

Instagram: @igorlmarques

O conteúdo dessa publicação é de responsabilidade da TV Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News





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