João Campos pressiona por desistência do PSOL em PE, e PSB ameaça retaliar em MG e RS

O diretório nacional do PSB, comandado pelo ex-prefeito do Recife, João Campos, pressiona o PSOL para retirada da candidatura de Ivan Moraes ao Governo de Pernambuco.
Com a manobra, Campos tenta evitar a divisão da oposição à governadora Raquel Lyra (PSD) e concentrar forças em torno de sua própria candidatura, unificando a base de apoio ao presidente Lula (PT) no estado.
Para ter a desistência em Pernambuco, o PSB ameaçou retirar o apoio a candidaturas do PSOL nos estados em que os partidos firmaram alianças, caso do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
A retaliação teria impacto em nomes considerados prioritários pelo PSOL, caso de Manuela d’Ávila, no Rio Grande do Sul, e Áurea Carolina, em Minas Gerais, ambas candidatas ao Senado.
João Campos e a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, foram procurados nesta quinta-feira (13), mas informaram que não iriam se manifestar.
A discussão foi levada pelo PSB ao diretório nacional do PSOL. Uma parcela dos líderes nacionais do partido fez apelos pela retirada da candidatura e há setores que defendem uma intervenção no diretório de Pernambuco, decisão que seria inédita na história do partido.
Para que a intervenção seja aprovada, contudo, serão necessários os votos de dois terços dos membros do diretório nacional.
Presidente da federação PSOL-Rede em Pernambuco, Jerônimo Galvão disse que as discussões com o PSB estão sendo conduzidas em âmbito nacional. E defendeu a candidatura própria: “A luta da federação é para manter a candidatura do companheiro Ivan Moraes.”
Ivan Moraes foi vereador por dois mandatos no Recife, quando fez oposição ao então prefeito João Campos. Na campanha, tem feito críticas tanto a Campos quanto à governadora Raquel Lyra.
Em nota, o candidato disse que foi escolhido por unanimidade pelo partido para concorrer ao governo, destacou que intervenção nos diretórios locais não faz parte da cultura política interna do partido e disse confiar nas instâncias internas do PSOL.
“Nossa candidatura já está registrada, já temos a primeira versão do programa de governo. Estamos há meses viajando o estado e unificando o nosso campo. Estou pronto para colocar nosso bloco na rua e defender um outro projeto para Pernambuco”, disse.
A eleição de João Campos para o Governo de Pernambuco é prioridade do PSB para as eleições desde outubro e vista como crucial para o futuro do partido. O ex-prefeito do Recife é tratado internamente como um potencial candidato à Presidência em 2030 ou 2034.
O candidato do PSB, contudo, enfrenta um cenário desafiador em Pernambuco. Depois de liderar as pesquisas ao longo do primeiro semestre, Campos agora aparece atrás ou em empate técnico com a governadora.
Pesquisa Datafolha divulgada em 3 de agosto mostra disputa acirrada para o governo. Raquel Lyra lidera com 48% das intenções de voto, seguida por João Campos com 42%. Ivan Moraes marcou apenas 1% das intenções de voto, mesmo percentual de Camila Falcão (UP).
Para reverter esse quadro, Campos terá como estratégia destacar o apoio de Lula à sua candidatura e associar sua adversária, Raquel Lyra, ao campo bolsonarista.
A governadora optou por manter a neutralidade na eleição presidencial e não vai apoiar nem mesmo Ronaldo Caiado, candidato do PSD. Ao mesmo tempo, tem feito acenos ao Planalto, destacando a parceira institucional com o presidente.
O PSB já vinha pressionando o PSOL desde julho. Naquele mês, o diretório nacional do partido encaminhou um ofício para diretórios estaduais falando em entraves nas negociações com a federação formada por PSOL e Rede.
No documento, o partido orientou que os diretórios de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina postergassem a decisão de apoio a candidatos majoritários do PSOL e da Rede, a fim de equacionar pendências. Nas semanas seguintes, contudo, a aliança foi aprovada nas convenções estaduais.
Folha de São Paulo



