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Meta divulga parâmetros de novo modelo de IA e Zuckerberg volta a defender código aberto

A Meta divulgou nesta segunda-feira (10) os parâmetros subjacentes do Muse Glimmer, um novo modelo de IA “aberto” que poderá ser baixado e modificado por desenvolvedores, e prometeu exibir nas próximas semanas, esses parâmetros, conhecidos como “pesos”, de uma versão de seu modelo mais potente, o Muse Spark.

A medida ressalta a linha adotada pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg, que vem defendendo o código aberto e sendo um crítico da concentração do desenvolvimento de IA nas mãos de empresas e governos.

Zuckerberg publicou um ensaio no site da Meta no qual apresentou um plano para distribuir IA “gratuita” e altamente avançada a “bilhões de pessoas”, em um esforço para dar mais poder aos indivíduos e “criar mecanismos de freios e contrapesos ao poder das instituições”.

“A maioria dos outros laboratórios está concentrada em desenvolver IA para empresas, governos ou outras instituições. Portanto, se esses laboratórios assumirem a liderança, o equilíbrio de poder favorecerá as grandes instituições em detrimento dos indivíduos”, afirmou o executivo, sem citar diretamente os rivais Google, Anthropic e OpenAI.

No início deste ano, a Meta se recusou a divulgar as especificações do Muse Spark, alegando preocupações com a segurança, à medida que a competição entre as principais empresas de IA se concentra cada vez mais em quão amplamente suas tecnologias mais avançadas devem ser distribuídas.

Na segunda-feira, a Meta também anunciou um fundo de US$ 1 bilhão para comunidades que abrigam seus data centers nos Estados Unidos, enquanto acelera a expansão da infraestrutura necessária para sustentar essas ambições. As big techs têm enfrentado críticas de moradores de áreas próximas a data centers, já que esses empreendimentos podem disputar recursos escassos, como energia e água.

A intervenção de Zuckerberg ocorre enquanto a Meta gasta bilhões de dólares no desenvolvimento de IA e promover sua visão de “superinteligência pessoal” —agentes avançados de IA destinados a ajudar as pessoas em tudo, da saúde e dos hobbies às finanças e à carreira.

Mas as ações da Meta caíram quase 8% depois que a empresa revelou, no mês passado, que seus gastos com infraestrutura de IA haviam reduzido seu fluxo de caixa livre em 91%. Os papéis do grupo de redes sociais recuaram quase 20% no último ano, enquanto a empresa despejava dinheiro na contratação dos melhores talentos em IA e na construção de data centers voltados à tecnologia.

Zuckerberg indicou que a empresa seguirá investindo em modelos de código aberto e criticou a abordagem restrita dos laboratórios concorrentes, que faturaram bilhões com a venda de acesso a seus modelos.

“Alguns argumentam que a melhor maneira de reduzir os riscos é restringir os recursos aos quais as pessoas podem ter acesso”, escreveu Zuckerberg, defendendo que “sistemas de código aberto amplamente utilizados se mostraram mais seguros porque um número maior de pessoas pode identificar vulnerabilidades”.

Ele relembrou o caso da Hugging Face, uma biblioteca digital de tecnologia de IA popular entre desenvolvedores, que foi atacada por dois modelos de IA da OpenAI que saíram do controle humano e causou preocupações sobre riscos da cibersegurança com o desenvolvimento do recurso.

Os comentários de Zuckerberg surgem no momento em que laboratórios chineses de IA reduzem a distância entre seus próprios modelos abertos e as ofertas proprietárias mais avançadas dos laboratórios norte-americanos.

A OpenAI e a Anthropic acusaram concorrentes chinesas de treinar seus modelos com base nos resultados produzidos por laboratórios dos EUA, por meio de uma técnica chamada destilação.

Zuckerberg, no entanto, manifestou-se a favor da prática, afirmando que era “importante proteger o princípio de que se pode aprender com tudo o que se observa” e rejeitando a ideia de que a destilação fosse “prejudicial”.

O CEO da Meta afirmou que a empresa deixaria nas mãos de seu conselho de administração independente a responsabilidade de avaliar a segurança de seus modelos. Ele criticou os laboratórios de IA concorrentes por promoverem um “discurso… tão repleto de previsões catastróficas”.

“A ideia de que a IA é tão perigosa que o único caminho seguro seria uma concentração extrema de poder parece inerentemente problemática”, afirmou. “À medida que todos tiverem acesso a ferramentas mais poderosas, cada pessoa se tornará mais capaz de moldar o futuro, e não menos.”

Folha de São Paulo

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