O dado que o Itamaraty usa para rebater versão dos EUA sobre o tarifaço de 25%

Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, integrantes do Itamaraty passaram a rebater uma das principais justificativas apresentadas por Washington: a de que o governo Lula não teria buscado negociar uma solução para evitar a medida.
A crítica foi reforçada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Nas redes sociais, ele afirmou que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”. Segundo Rubio, “suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros” e o presidente brasileiro teria colocado “seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”.
Segundo fontes do Itamaraty ouvidas pela coluna, porém, houve mais de 30 contatos entre autoridades dos dois países desde o anúncio do tarifaço original, incluindo reuniões presenciais, videoconferências e telefonemas em nível presidencial, ministerial e técnico. Desse total, 11 conversas ocorreram diretamente com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e com o próprio Rubio. “A gente sempre tomando a iniciativa”, resumiu um diplomata.
A avaliação é de que a decisão americana teve apenas motivação política. Diplomatas lembram que o Brasil inicialmente havia sido enquadrado na menor faixa tarifária, de 10%, e que a escalada para 50% ocorreu após a publicação de Donald Trump, em 9 de julho, cobrando o fim do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. Para integrantes da diplomacia brasileira, esse episódio evidenciou que a discussão comercial acabou subordinada à disputa política.
O governo também contesta os fundamentos da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Em relação ao desmatamento, interlocutores do Itamaraty afirmam que o Brasil reduziu pela metade a devastação na Amazônia entre 2022 e 2025. Sobre o Pix, dizem que “nunca propuseram nada” durante as negociações e que as críticas surgiram apenas na fase final do processo.
Outro ponto citado pela diplomacia envolve o etanol. Embora Washington questione a tarifa brasileira de 17,5% sobre o produto americano, fontes afirmam que os EUA nunca aceitaram discutir a tarifa, até cinco vezes maior, aplicada ao açúcar brasileiro. “Não foi por falta de tentativa nossa em abrir essa via negociadora. Não se mexeram um milímetro”, afirmou um integrante do Itamaraty.
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