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Plano Safra: ministro comemora números e diz que dívidas terão solução rapidamente



O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (30/6) que os resultados alcançados na elaboração do Plano Safra 2026/27 são motivo de comemoração. Segundo ele, o governo federal demonstrou apoio ao setor agropecuário, com a redução das taxas de juros em momento “desafiador” no campo.
“Testemunhei os avanços que me fazem comemorar os resultados. O Brasil enfrenta um momento de grande desafio, isso é ainda mais evidente no agro, mas vemos o Estado ao lado do produtor, e isso nos faz acreditar que seguiremos superando obstáculos”, disse o ministro em declaração à imprensa após a cerimônia de lançamento do Plano Safra 2026/27.
O ministro disse ainda que as negociações em relação ao endividamento do produtor rural seguem abertas no governo. Havia uma expectativa que alguma proposta fosse apresentada nesta terça-feira. “As negociações seguem com a expectativa de que muito rapidamente possamos ter uma medida provisória em que o governo vai oferecer a melhor posição que pudermos dar em relação a essa questão”, avaliou.
O Plano terá R$ 525,1 bilhões em recursos totais, com uma queda de 7% nos valores destinados ao custeio e comercialização e alta de 38% nos investimentos. Os juros ficaram entre 8% e 12,5%, com cortes de até 1,5 ponto percentual nas taxas de algumas linhas de crédito.
Também houve recuo do montante total e da participação dos recursos a juros livres na composição do Plano Safra. Mesmo assim, a maior parte dos valores para médios e grandes produtores são a taxas de mercado (R$ 311,2 bilhões ou 51% do montante total).
Por outro lado, aumentou a participação dos recursos controlados (que têm taxas de juros pré-definidas e recebem intervenção do governo, com equalização ou não) na composição do Plano Safra, de 37% para cerca de 41%, totalizando R$ 213,9 bilhões dos R$ 525,1 bilhões anunciados.
“A nossa expectativa era ter volume de recursos ainda mais expressivos do que tivemos no ano passado e o nosso foco e preocupação era fazer com que pudéssemos ter certeza de que estávamos fazendo o maior esforço possível para ir ao encontro da maior preocupação do produtor que é a taxa de juros”, disse André de Paula,
“O momento é muito desafiador, mas estamos envidando todos os esforços para mais uma vez estarmos ao lado dos produtores. Esse é o quarto Plano Safra que batemos recorde em relação aos Planos Safras anteriores”, completou.
Juros
O secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, afirmou que as taxas de juros do Plano Safra 2026/27, entre 8% e 12,5% ao ano para médios e grandes produtores, são as “melhores possíveis”.
“As taxas de juros são as melhores que conseguimos colocar para esse momento. Desafio a achar no mercado de financiamento brasileiro taxas de juros melhores que essas ofertadas pelo Plano Safra”, afirmou em coletiva de imprensa depois do lançamento do Plano Safra 2026/27.
Mesmo assim, ele admitiu que o pedido do Ministério da Agricultura foi por melhores condições. “Nós pleiteamos por mais, mas aí entra a parte da responsabilidade do governo, que coloca limites”, afirmou.
O secretário-adjunto de Política Agrícola, Wilson Vaz, ressaltou que os médios produtores terão mais de R$ 72 bilhões em linhas com juros controlados de 9% ao ano. Para os demais agricultores, com faturamento bruto anual superior a R$ 3,5 milhões e que se financiam a mercado, o Plano Safra serve como baliza para as alíquotas que serão oferecidas nos mecanismos de financiamento privado.
“O Plano Safra tem o papel de trazer a taxa efetiva de juros mais reduzidos. Aquilo que o produtor vai acessar no mercado está muito superior. As taxas do Plano Safra têm papel de trazer taxa efetiva em patamar inferior”, avaliou na coletiva.
Campos ressaltou o “tremendo esforço” para que os juros, principalmente nas linhas equalizáveis, pudessem ser menores. Segundo ele, haverá uma disputa intensa pelos recursos do custeio do Pronamp, que terão juros de 9% ao ano.
“Esse é o filé mignon do Plano Safra, o custeio do Pronamp será disputado a tapa. Que todos os produtores estejam indo aos seus bancos e que peçam as linhas, se o gerente falar que não tem, tem. Pode ir atrás, e são 25 instituições financeiras trabalhando com [os recursos equalizados do] Plano Safra”, apontou. “Com juros de 9% ao ano é um dinheiro que não se acha em qualquer lugar. Se tiver, pega que está barato”, disse Campos.
A portaria que autoriza a equalização de juros do Plano Safra ainda não tem data para ser publicada. Ela é de responsabilidade do Ministério da Fazenda. Há, no entanto, garantia de orçamento suficiente para iniciar as contratações, sem necessidade de suplementação. Apesar do aumento do custo fiscal do plano, de R$ 13,5 bilhões para R$ 18,1 bilhões, o maior impacto são nos anos subsequentes.
O secretário afirmou ainda que o cenário mais apertado no campo, devido à alta dos insumos e margens de lucro espremidas, estão em análise para adoção de outras medidas futuramente. “É o melhor que pode ser ofertado para o produtor brasileiro no momento”, disse.
Seguro rural
Questionado sobre a ausência de anúncio sobre valores ou medidas para o seguro rural, Campos disse que o tema segue na pauta e será discutido em conjunto, no “comitê de crise” instalado pela Casa Civil para debater impactos do El Niño na economia brasileira.
“Devido a limitações de orçamento, essa discussão vai ficar juntamente com tudo aquilo que o governo vem fazendo nas medidas de mitigação a efeitos do El Niño. O Plano Safra ficou com financiamentos e seguro rural ficará para discussão conjunta de todas as áreas do governo envolvidas nesse assunto”, afirmou na coletiva.
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Globo Rural

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