PT decide lançar candidatura de Haddad em Campinas após descartar Ribeirão Preto

O PT decidiu que o lançamento da candidatura de Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo será em Campinas, a 93 km da capital, no dia 25 de julho. Será a primeira vez que o partido realizará uma convenção estadual para um cargo majoritário no interior paulista.
A decisão foi tomada pela pré-campanha do petista na segunda-feira (6). Conforme publicado pela Folha, a equipe de Haddad pretendia realizar o evento, obrigatório pela lei eleitoral, em Ribeirão Preto, a 313 km de São Paulo, para tentar se aproximar de um eleitorado que historicamente rejeita o PT.
A data de 25 de julho foi mantida, mas o PT optou por Campinas pela proximidade tanto com a capital quanto com o litoral, possibilitando a adesão de mais militantes à convenção. Segundo um dirigente petista, caso o evento fosse realizado em Ribeirão, a tendência seria de um público menor. O grupo também cogitou Sorocaba, a 101 km de São Paulo, mas desistiu da cidade pelos mesmos motivos.
Campinas tem o terceiro maior eleitorado do estado —são 870 mil eleitores, segundo dados de junho do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo)— e é conhecida, desde a década de 1970, como a capital do interior, pela força econômica que exerce no estado.
O mais recente Datafolha mostra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 46% das intenções de votos, muito à frente de Haddad, com 30%. O índice de rejeição ao petista é o mais alto, de 47%, com ampla distância de Tarcísio (26%).
“É simbólico que a convenção seja no interior, espelha muito a nossa vontade de nos aproximar deste eleitorado”, disse o deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do plano de governo de Haddad.
Representantes de outros partidos que integrarão a chapa petista, PSOL, Rede, PSB e PDT também vão participar do evento. No entanto, as siglas devem realizar suas próprias convenções em outros momentos, segundo apurou a reportagem.
O vice de Haddad na chapa será o ex-governador Márcio França (PSB) e as candidatas às duas vagas abertas ao Senado serão Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Os quatro foram ministros do presidente Lula (PT) no atual mandato.
A presença de Lula é esperada, mas não foi confirmada. Duas lideranças da campanha disseram que, embora o presidente tenha manifestado o desejo de participar, a agenda dele é imprevisível. A convenção que confirmará a tentativa de reeleição do presidente foi marcada para o dia 2 de agosto, em São Paulo.
O entorno de Haddad espera que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ao menos, possa comparecer à convenção em Campinas. Ex-governador paulista, ele é apontado como uma das esperanças da campanha para ajudar a reduzir a rejeição ao PT, embora também não tenha confirmado, ainda, sua presença.
No mesmo dia em que o PT fará a convenção no interior, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lançará a sua candidatura à Presidência da República na capital paulista.
Inicialmente resistente à ideia de se candidatar ao governo estadual, como em 2022, Haddad foi convencido por Lula a mudar de ideia no início deste ano. A justificativa é a de que o PT precisa de um palanque forte em São Paulo, maior eleitorado do país, para garantir a reeleição do presidente.
Folha de São Paulo



