Rodri cumpre profecia de Guardiola e chega à melhor forma na Copa do Mundo

Eleito melhor jogador do mundo na temporada 2023/24, Rodrigo Hernández, o Rodri, não teve imediatamente a chance de dar sequência ao futebol brilhante que lhe rendeu a Bola de Ouro. O espanhol recebeu o prêmio apoiado em muletas, em outubro de 2024, por causa de uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, e encontrou dificuldades no retorno.
No início do ciclo 2025/26, seu técnico no Manchester City o procurou para uma conversa. Pep Guardiola explicou ao volante que recuperar a velha forma levaria algum tempo e que ela seria alcançada apenas na Copa do Mundo. Quem viu França 0 x 2 Espanha, na terça-feira (14), nas semifinais do torneio, deu razão ao treinador.
“Ele talvez tenha demorado a entender que não é só uma questão de seis ou sete meses: ‘Estou de volta, serei o Rodri que era antes’. Não! O Rodri estará bem para o Mundial, com a Espanha“, disse Guardiola, em outubro de 2025. “Ele está na mesa de massagem há um ano. O corpo muda, o ritmo muda. Mas é uma questão de tempo. Ele estará bem para a Copa, será o melhor Rodri.”
Hernández, que completou 30 anos no último dia 22, tem sido uma peça importante na sólida campanha de sua equipe nacional na América do Norte. Em um time que sofreu apenas um gol e marcou 13, ele é responsável pela proteção à dupla de zaga e também pela distribuição de jogo, com desempenho de alto nível nas duas tarefas.
No ranking disponibilizado pela Fifa (Federação Internacional de Futebol), baseado em dados estatísticos, o madrileno aparece em primeiro no item marcação, com nota média 8,08. Com a bola, segundo a Opta Analyst, acertou 92,9% dos passes que tentou no campeonato, com índice de 90,7% no campo de ataque.
Como previra Pep, o “melhor Rodri” apareceu no torneio realizado nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Diante dos franceses, em Arlington, nos arredores de Dallas, o volante foi chave no jogo de posse de bola da Espanha e na frustração do potente ataque adversário. O meia Michael Olise, que vinha se destacando, teve jornada discretíssima sob a vigilância do camisa 16.
“Eu disse um tempo atrás que questionar o Rodrigo me parecia um insulto à inteligência. E o tempo só fez mostrar que não estávamos errados”, afirmou o treinador da seleção espanhola, Luis de la Fuente, que foi contido quando questionado especificamente sobre outros atletas, como o ótimo meia Dani Olmo, porém não economizou nos elogios ao capitão.
“Temos um modelo futebolístico. E o Rodrigo é o eixo, uma figura que encaixa o jogo de maneira fantástica. Com poucos toques, dá passes capazes de superar linhas com uma facilidade fantástica. Posicionalmente, ele dá equilíbrio à equipe, recupera não sei quantas bolas. Defensivamente, é uma figura importantíssima para o nosso esquema”, derreteu-se.
Inteligentes ou não, houve mesmo dúvidas sobre a possibilidade de o jogador atingir novamente um nível mais alto. Como é comum após graves lesões ligamentares, Hernández enfrentou recorrentes problemas musculares a partir da volta, em maio de 2025. Também como é comum, teve dificuldade para recuperar a mobilidade e o ajuste técnico fino.
Diante dessa situação e do fim de uma era em Manchester –Guardiola deixou o City após dez temporadas, substituído por Enzo Maresca–, ficaram para depois as negociações para a renovação de seu contrato, que expira no meio de 2027. Está evidente agora: um acordo antes do embarque do jogador à América do Norte teria saído mais barato para o clube.
Rodri, claro, tem evitado o assunto, dizendo estar concentrado no Mundial. Depois de frustrar Mbappé, Dembélé e Olise, ele tem mais uma tarefa árdua na América do Norte, contra a Argentina de Messi. Será um jogo duro diante dos atuais campeões, porém Luis de la Fuente confia em seu time e em seu capitão.
“É uma sorte grande ter esse tipo de jogador.”
Esporte / Folha de São Paulo



