Política

Sem Moro, Requião Filho promete retomar controle da Copel e confronta Sandro Alex sobre legado de Ratinho

A ausência de Sergio Moro (PL) concentrou o primeiro debate dos candidatos ao governo do Paraná em um confronto direto entre Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) sobre o legado de Ratinho Junior. Enquanto o ex-secretário de Infraestrutura defendeu a atual gestão, Requião atacou decisões do governo e colocou a Copel entre os principais pontos da disputa.

O candidato do PDT prometeu “retomar o controle” da companhia, perdido após a venda de ações promovida pelo governo estadual. Requião afirmou que o Estado recebeu pouco com a operação, já teria gasto mais do que arrecadou e que a Copel deixou de contribuir para a economia local.

“Recebemos uma mixaria, já gastamos mais do que recebemos e a Copel deixou de contribuir para a economia do Estado. Queremos retomar esse controle”, defendeu.

A promessa foi acompanhada de três caminhos mencionados pelo candidato. Requião disse que poderia buscar apoio do BNDES, alterar a legislação ou recorrer à atuação da Polícia Federal e do Ministério Público caso sejam comprovadas irregularidades no processo. Ao falar em eventuais crimes, chegou a mencionar “gente na cadeia”.

Sandro respondeu que os reajustes da tarifa de energia não decorreriam da venda da empresa e atribuiu a responsabilidade ao governo federal.

A diferença entre os dois candidatos apareceu também em outras áreas. Sandro Alex reivindicou obras e políticas do governo Ratinho, enquanto Requião organizou sua participação em torno da revisão de decisões tomadas pela atual gestão.

Na educação, Sandro defendeu as escolas cívico-militares e prometeu ampliar o modelo para mais de 500 unidades. Requião afirmou que a política não é pedagógica, mas de propaganda, e disse que pretende revê-la. Também prometeu melhores condições de trabalho para profissionais da Educação e da Segurança Pública.

Na infraestrutura, Sandro Alex defendeu obras como a Ponte de Guaratuba. Requião afirmou que não é contra a ponte, mas criticou o projeto e também a execução da engorda das praias do litoral. O candidato do PDT ainda chamou Sandro de “pai do pedágio”, em referência à sua atuação como secretário de Infraestrutura.

Requião Filho recorreu ainda ao legado dos governos de Roberto Requião para sustentar sua ideia de “retomada”. Citou políticas de educação, segurança, agricultura e tributação e defendeu zerar o ICMS sobre a cesta básica. Sandro, por sua vez, repetiu que não permitiria que adversários parassem as obras ou fizessem o Paraná retroceder.

Moro havia anunciado horas antes que não participaria do debate. O candidato justificou a decisão afirmando que o encontro seria um “jogo combinado” entre adversários e que seria alvo por estar à frente nas pesquisas.

Depois do debate, Requião respondeu com ironia. “Sergio, acabou o debate. Pode sair debaixo da cama. Pena que você não veio”, disse. Também chamou Moro de “deserto de ideias” e afirmou que ele não teria comparecido por não ter o que dizer no confronto.

Sandro Alex também criticou a desistência e lembrou que Moro havia confirmado presença anteriormente.

Após o encontro da Band, os candidatos ao governo do Paraná têm outros dois debates previstos. A RIC TV, afiliada da Record, marcou o próximo confronto para 21 de setembro. Já o debate da TV Globo no primeiro turno está previsto para 29 de setembro e, no Paraná, será organizado e transmitido pela RPC.




Brasil de Fato

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