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Sem propostas, marca Chapecó pode voltar a leilão



Mais de duas décadas após o início do processo de falência da Chapecó Alimentos, uma das maiores agroindústrias brasileiras nos anos 1990 e concorrente de Sadia e Perdigão antes da criação da BRF, a massa falida da companhia ainda busca um destino para parte dos ativos remanescentes. No mais recente leilão, que foi realizado pela plataforma Positivo Leilões e se encerrou em junho, a marca Chapecó não recebeu propostas nem mesmo quando o preço mínimo caiu para 30% do valor de avaliação, segundo os administradores judiciais do caso. A marca foi avaliada em R$ 80 milhões.

“A possibilidade de aquisição por 30% do valor costuma facilitar a venda. Mesmo com essa possibilidade, não houve interessados”, disse Rafael Brizola, da Brizola e Japur Administração Judicial, síndica adjunta da massa falida da Chapecó Alimentos.

Segundo os administradores, os bens não operacionais remanescentes — o que inclui a marca — já passaram por algumas tentativas de venda. Parte dos ativos já encontrou novos donos, mas alguns permaneceram sem compradores. Na rodada mais recente, ocorreu a venda de apenas um bem.

No caso da marca Chapecó, os administradores estão prospectando interessados e tentando descobrir se há interesse efetivo por ela. “Houve uma procura muito grande, com cerca de 10 mil acessos aos sites dos três leiloeiros responsáveis”, afirmou Brizola.

Agora, os leiloeiros consideram eventuais ofertas abaixo do desconto de 30%, que poderão servir como referência para futuras negociações e ajudar a definir o valor que o mercado está disposto a pagar pela marca. “Não existe a opção de não vender”, disse Brizola.

De acordo com Marcos Andrey de Sousa, da Cavallazzi, Andrey, Restanho & Araujo Advocacia, também responsável pelo caso, já ocorreu a venda de todas as unidades operacionais, com exceção da planta de Santa Rosa (RS), atualmente arrendada à Alibem. A negociação do ativo depende da conclusão de uma disputa judicial que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Essa é a única unidade que ainda aguarda julgamento. Não podemos vendê-la enquanto a Justiça não decidir”, disse.

No caso dos bens não operacionais, as vendas totalizaram cerca de R$ 610 milhões. Além do ativo de Santa Rosa, permanecem na massa falida alguns imóveis classificados como não operacionais, localizados em Bauru e Amparo (SP), além da própria marca Chapecó.


Globo Rural

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