Tarcísio abre campanha em Osasco ao lado do Podemos, partido em ascensão em São Paulo

Ao abrir sua campanha eleitoral em Osasco, neste domingo (16), Tarcísio de Freitas (Republicanos) afaga o Podemos, sigla de centro-direita que vem se expandindo em São Paulo em ritmo acelerado, apostando em deputados com bom desempenho nas urnas e vindos da área da segurança pública, sob o comando de dirigentes que já tiveram problemas com a Justiça.
A campanha de Tarcísio começará no mesmo evento de largada da candidatura de Rogério Lins (Podemos), ex-prefeito de Osasco, que concorrerá a deputado estadual.
Quinto maior colégio eleitoral do estado, a cidade é considerada estratégica pelo governador, que busca ampliar sua votação na região metropolitana de São Paulo, área em que Fernando Haddad (PT) teve mais votos em 2022.
O partido, presidido nacionalmente por Renata Abreu, é comandado em São Paulo pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima. Foi a sigla que mais cresceu na bancada paulista da Câmara dos Deputados na janela partidária deste ano, ao saltar de 4 para 11 parlamentares —passou a ser a segunda maior, atrás apenas do PL, que tem 16, e à frente do PT, com 10. O Republicanos de Tarcísio tem quatro.
Entre os novos filiados do Podemos estão os delegados Bruno Lima e Mario Palumbo (vindos do PP e do MDB, respectivamente) e o policial civil Felipe Becari, ex-União Brasil, que juntos somaram quase 1 milhão de votos —e eram cobiçados por dirigentes partidários.
A expansão da sigla ficou fora do radar de parte da política paulista, que se manteve atenta, ao longo da atual legislatura, aos movimentos de outro partido, o PSD de Gilberto Kassab, que não disfarçou, enquanto foi secretário de Governo de Tarcísio, o objetivo de ampliar a bancada —movimento que desagradou siglas aliadas, como o Republicanos e o MDB, a ponto de praticamente afastá-lo da campanha do governador.
No Podemos, o aumento da legenda foi mais tranquilo. Um dos poucos atritos nessa expansão ocorreu com Bruno Lima, que, embora fosse deputado, estava licenciado e ocupava o cargo de secretário de Inovação e Tecnologia de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura da capital. Nunes trabalhou para torná-lo emedebista, mas o deputado terminou fechando com o Podemos.
“Percebi que precisava estar em um partido que abraçasse não apenas a minha atuação como parlamentar, mas também a causa animal como um todo. Encontrei no Podemos essa possibilidade”, diz o deputado.
Rogério Lins, que estará com Tarcísio no domingo, é considerado outro dos principais dirigentes do Podemos no estado, e sua eleição é tida como certa entre apoiadores do governador.
Em 2022, ele entrou na campanha de Tarcísio apenas no segundo turno, mas, segundo aliados do governador, conquistou sua confiança. Naquele ano, Haddad venceu em Osasco por cerca de 3.000 votos de diferença, e membros do Republicanos e do MDB avaliam que a atuação do então prefeito Lins ajudou a estreitar uma diferença que foi maior em cidades vizinhas.
Em 2024, ao deixar a Prefeitura de Osasco após dois mandatos, Lins foi convidado, com aval de Tarcísio, para compor o secretariado de Nunes na capital —ficou com Esportes. O convite, de acordo com um aliado do prefeito da capital, era tanto um afago ao governador, recompensando seu apoiador, quanto parte do plano do próprio Nunes de se viabilizar ao governo estadual caso Tarcísio disputasse a Presidência, o que era cogitado na época.
Palumbo e Felipe Becari têm atuação relevante em outro nicho eleitoral que atrai votos, a defesa dos animais, mas ambos integram a Frente Parlamentar de Segurança Pública —a chamada bancada da bala. Tanto Marcelo Lima quanto Rogério Lins já responderam a acusações na Justiça.
Lins foi acusado de ter nomeado assessores fantasmas quando era vereador em Osasco. Ele se defendeu das acusações, e o processo mudou de competência entre a Justiça paulista e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) até retornar à primeira instância, em 2022, e resultar em sua absolvição por falta de provas. A decisão transitou em julgado no fim daquele ano.
Já Marcelo Lima se tornou réu em dezembro de 2025 em ação penal que apura lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em agosto, com a deflagração da Operação Estafeta, ele passou a usar tornozeleira eletrônica e foi afastado do cargo. O afastamento durou até outubro, quando o ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca determinou seu retorno.
O processo, no momento, está suspenso, após um habeas corpus levar o caso ao STJ, que vai determinar se o caso é de competência federal ou estadual.
Renata Abreu fez o convite inicial aos deputados federais com maior votação para migrar para o partido, mas foi Marcelo Lima quem acertou os detalhes que resultaram nas filiações, de acordo com um integrante da sigla. Ele foi responsável, também, pela composição final da chapa.
À Folha Lima disse que buscou nomes “com representatividade, identidade e capacidade de diálogo com diferentes regiões e segmentos da população” do estado e que procurou criar “um time competitivo” e que, além da Câmara, espera dobrar o tamanho da bancada do Podemos na Assembleia Legistativa.
Apesar do apoio declarado a Tarcísio, ambos cultivaram relações cordiais com o PT no passado.
Lins foi eleito vereador em Osasco pela primeira vez em 2008, pelo antigo PR (atual PL), e teve relação de amizade com o então prefeito Emídio de Souza (PT), que o convidou para ser secretário de Indústria. Quando o antipetismo se fortaleceu, a partir de 2015, Lins se afastou. A amizade acabou, segundo interlocutores.
Já Marcelo Lima tem em seu secretariado auxiliares comissionados que trabalharam na gestão do hoje ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), prefeito de São Bernardo de 2009 a 2016.
Fernando Haddad (PT), principal adversário de Tarcísio na corrida pelo Governo de São Paulo, participará do ato de Lula em São Bernardo do Campo no domingo (16), primeiro dia de campanha.
Folha de São Paulo



