Política

Trump fez Joesley falar espanhol para testá-lo

Chegou às livrarias nos Estados Unidos o novo livro da repórter Maggie Haberman, é “Regime Change” desta vez com seu colega Jonathan Swan. Destrincha o primeiro ano do governo de Donald Trump. Resulta um presidente vingativo, egocêntrico e mercurial. Na sua Casa Branca, o bilionário Elon Musk passou de gênio a doido.

Num de seus melhores momentos eles descrevem a subserviência pós-eleitoral de Mark Zuckerberg, que o havia banido de sua rede, e de Jeff Bezos. Bezos reclamou dos jornalistas do seu Washington Post e um dos filhos de Zuckerberg escreveu uma carta a Trump dizendo que ele levará os EUA a uma era de ouro.

Puxa-saco é parte da vida, mas presidente tripudiando com a exibição das mensagens que eles lhe mandaram é novidade.

O último livro de Haberman foi uma biografia de Trump. Chama-se “Vigarista”.

Trump e o Irã

Em outubro passado, o comentarista Tucker Carlson alertou-o para o risco de se meter com o Irã, tema da agenda de Benjamin Netanyahu.

“Não vamos fazer isso”, respondeu Trump.

“Ótimo. Porque a única coisa que pode implodir seu governo é uma guerra com o Irã. Essa é uma armadilha de seus inimigos. Essa gente o odeia. Depois que você entra, é difícil sair. Estropia sua presidência.”

Deu no que deu.

Maduro

Haberman e Swan contam que no dia 21 de novembro o bilionário brasileiro Joesley Batista esteve com Trump e Marco Rubio (seu canal seria Melania, a mulher do presidente). Eterno desconfiado, Trump conduziu a conversa em espanhol para testar a proficiência de Joesley com o idioma.

Batista foi a Caracas e sugeriu a Maduro que renunciasse. Nada feito.

Trump tentou de novo, mandando Tucker Carlson a Maduro. O ditador venezuelano ofereceu ao intermediário americano provas de que as urnas da eleição de 2020 nos Estados Unidos estavam viciadas. Não colou, o recado de Trump era claro: vamos tomar seu país e seu petróleo.

Com a frota americana ao largo, Maduro tentou negociar. Trump oferecia-lhe a carta do exílio. A essa altura o secretário de Estado, Marco Rubio, já tinha posto uma coleira na vice-presidente Delcy Rodríguez. O secretário de Estado diz que ela é séria, porém corrupta

Na véspera do Natal, Trump tinha três opções: Maduro seria mandado para o Qatar, para a Turquia ou para a cadeia. No dia 3 de janeiro Maduro e sua mulher foram sequestrados e estão presos nos Estados Unidos.

A prioridade de Rubio

Marco Rubio credenciou-se para ocupar a Secretaria de Estado com a ideia de que os Estados Unidos perdem muito tempo com a Europa e o Oriente Médio enquanto deveriam ser mais ativos na América Latina.

A encalacrada em que Trump se meteu com o Irã indica que Rubio não foi ouvido por seu chefe, mas já já ele arruma outra encrenca por aqui.


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Folha de São Paulo

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