Saúde

O que se sabe sobre o surto de ciclosporíase intestinal nos Estados Unidos

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos informaram nesta terça-feira (14) que confirmaram 1.645 casos de uma infecção intestinal causada pelo parasita cyclospora, que provoca diarreia, náusea e outros sintomas gastrointestinais, e que estavam investigando 5.100 casos possíveis em 34 estados.

Michigan, o estado mais afetado, registrou 3.309 casos.

O que é a infecção?

A ciclosporíase é uma infecção intestinal que pode ser contraída pelo consumo de alimentos —geralmente frutas e vegetais crus— ou água contaminada com fezes que transmitem o parasita cyclospora.

Os sintomas podem variar de leves a graves, com crianças, idosos e pessoas com sistema imunológico enfraquecido enfrentando maior risco de doença grave.

Embora a ciclosporíase raramente seja fatal, infecções não tratadas podem persistir por semanas e levar à hospitalização, principalmente por causa da desidratação.

Os EUA já tiveram surtos anteriores da doença. Michigan, por exemplo, diz que normalmente registra de 40 a 50 casos por ano.

A qual é a origem?

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) está conduzindo investigações de rastreamento em vários produtos agrícolas para tentar determinar a origem do surto.

Isso inclui a alface que autoridades de saúde de Michigan identificaram como uma possível fonte do surto. Michigan disse que nenhum tipo específico de produto, produtor ou fornecedor foi associado ao surto.

Nas investigações de rastreamento, a agência coleta informações de pessoas doentes sobre os alimentos que consumiram nas semanas antes de adoecerem e trabalha retroativamente ao longo da cadeia de suprimentos, podendo chegar até a fazenda onde um ingrediente foi cultivado.

O que as pessoas podem fazer para se proteger?

O parasita vive em alimentos ou água contaminados e não é comumente transmitido diretamente de pessoa para pessoa.

O CDC aconselhou as pessoas a lavarem as mãos com água e sabão antes e depois de preparar frutas e vegetais crus, a lavarem bem os produtos e a esfregarem frutas e vegetais firmes com uma escova limpa.

Surtos anteriores foram associados a misturas e kits de saladas embaladas, coentro e manjericão frescos, framboesas, ervilhas-tortas e cebolinha verde, segundo Michigan.

Para pessoas com ciclosporíase, o CDC recomenda tratamento com trimetoprima-sulfametoxazol, um antibiótico comumente vendido como Bactrim, tomado duas vezes ao dia por sete a dez dias. Pessoas vivendo com HIV podem precisar de tratamento mais prolongado, de acordo com a agência.

Onde está o surto?

O CDC diz que pessoas doentes começaram a relatar sintomas em quatro estados principais a partir de 22 de junho: Michigan, Ohio, Virgínia Ocidental e Kentucky. Também disse que havia várias outras investigações em andamento em estados individuais.

Nova York, Illinois, Kentucky, Nova Jersey, Carolina do Norte e Texas registraram 31 casos ou mais até 13 de julho.

As contagens de casos apresentam atraso em parte devido a demoras nos relatórios e devem aumentar à medida que o CDC receber mais dados. Os atrasos entre a exposição e a confirmação do caso podem levar até seis semanas, com o início da doença ocorrendo de dois dias a duas semanas ou mais após a infecção.

Os casos geralmente aumentam de 1º de maio a 31 de agosto.

QUE VIGILÂNCIA ESTÁ SENDO FEITA?

O cyclospora é um patógeno de notificação nacional obrigatória e a maioria dos estados coleta dados robustos e os compartilha rotineiramente com o CDC em seu sistema de vigilância de doenças, diz Gwen Biggerstaff, diretora-adjunta da Divisão de Doenças Transmitidas por Alimentos, Água e Ambientais do CDC.

Os profissionais de saúde são legalmente obrigados a relatar casos de ciclosporíase aos departamentos de saúde pública em 47 estados.

A Rede de Vigilância Ativa de Doenças Transmitidas por Alimentos, ou FoodNet, é uma colaboração entre o CDC, o Departamento de Agricultura dos EUA, a FDA e 10 departamentos estaduais de saúde. Em julho passado, ela parou de rastrear seis de oito patógenos, incluindo o cyclospora, devido a cortes de financiamento.

Informação

Folha de São Paulo

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