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Inteligência artificial precisa se somar ao conhecimento humano



A inteligência artificial (IA) pode ampliar radicalmente a capacidade das empresas de analisar informações, formular alternativas e antecipar cenários, mas não deve ser confundida com a capacidade de decidir. Nem deve ser considerada como uma tecnologia que se adquire pronta.
Essa é a avaliação de especialistas que participaram na quinta-feira (3) do Arena Impacto, no Cubo Itaú, em São Paulo. O evento foi uma realização da Globo Rural e do Valor, com apresentação da empresa de tecnologia Solinftec.
Autor de livros sobre negócios e inovação, Ricardo Cavallini avaliou que as empresas devem estar abertas às diversas possibilidades de uso da IA. “Pode usar para produtividade, mas dá para fazer simulações, criar soluções, produtos e serviços. No agro, temos casos de IA que geram economia de 87% no uso de químicos”, disse.
Cavallini afirmou em sua palestra que desconsiderar a IA nos negócios é “deixar dinheiro na mesa” e ficar para trás em relação à concorrência. Acrescentou que as empresas precisarão ter uma estratégia de uso da tecnologia, mas não devem esperar essa estratégia ficar pronta para começarem a trabalhar com a IA.
“Há coisas que a gente já sabe. Dá acessos, ferramentas e treinamentos. As pessoas precisarão ser qualificadas”, ressaltou.
O professor Paulo Vicente Alves, da Fundação Dom Cabral, lembrou que as tecnologias disponíveis hoje não são definitivas. “É uma revolução que deve atingir o seu auge na década de 2040. Está na hora de entender que tem coisa muito mais sofisticada e barata lá na frente”, disse.
Silvio Meira, professor emérito do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirmou que, quanto mais a tecnologia avança, mais importante se torna o papel humano de definir objetivos, avaliar opções e assumir a responsabilidade pelas escolhas.
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A IA deve funcionar como uma bússola: amplia o campo de visão, organiza informações e apresenta possibilidades, mas a direção continua sendo uma escolha humana. “A competência muito mais escassa deixou de ser ‘saber usar’, passou a ser ‘saber quando não confiar’”, acrescentou.
A combinação de inteligência artificial e julgamento humano também muda o conceito de vantagem competitiva. Os usos mais básicos da IA — como descrição, diagnóstico e previsão — tendem a se tornar commodities. Uma empresa pode aproveitar a IA de forma mais avançada quando a tecnologia passa a recomendar ações e comparar alternativas. E a vantagem competitiva ganha mais força quando a empresa consegue integrar a tecnologia aos próprios dados, à governança e ao desenho organizacional para decidir, aprender e adaptar sua estratégia.
Meira chamou atenção para um problema que já aparece nas empresas: o receio de colocar informações proprietárias em ambientes de nuvem por questões de compliance e governança. Segundo ele, há companhias que preferem utilizar dados públicos ou de mercado para alimentar suas decisões. Isso, porém, não cria uma vantagem competitiva. O diferencial está justamente no conhecimento acumulado dentro da própria organização e na capacidade de transformar seus dados em inteligência.
Segundo Meira, transformações que antes levavam décadas agora acontecem em dois ou três anos. Por isso, os investimentos em inteligência artificial precisam ser avaliados também pela capacidade que criam para a empresa decidir como quer competir no futuro. “O pior erro é gerenciar tudo rápido. O segundo pior erro é gerenciar tudo devagar”, disse.
Automatização
Executivos de empresas que aplicam a inteligência artificial nas suas operações ressaltaram durante o evento que a IA pode automatizar tarefas e acelerar processos, mas seu valor depende de como é utilizada pelas pessoas.
“Eu acredito muito no poder do humano com a tecnologia”, afirmou Daniela Cachich, CEO da divisão Beyond, da Ambev. “O grande diferencial é o humano que está usando”, acrescentou.
Paula Harraca, presidente da Ânima Educação, afirmou que, se a IA traz respostas, o desafio para os usuários é o de aprimorar suas perguntas. “Exige repertório, experiência, curiosidade, criatividade e pensamento crítico”, disse.
Para o agronegócio, o recado dos especialistas é o de que a IA e outras tecnologias estão na realidade de todos os setores da economia, afirmou o vice-presidente global da Solinftec, Denis Arroyo. “O produtor rural precisa entender que está presente, não é um modismo, não é um produto e vai fazer parte de todo o desenvolvimento dele daqui para frente”, ressaltou o executivo.
Marco Righetti, diretor de tecnologia da Oracle na América Latina, afirmou que existem oportunidades para o Brasil crescer em infraestrutura de uso da IA. É possível, inclusive, ter um data center em uma fazenda.
“Há tecnologias para viabilizar pequenos núcleos [de data center] independentes. Eu pego tecnologias como IA executando localmente com soberania de dados e consigo desenvolver modelos para agricultura tropical, muito particular do Brasil.”
(Colaborou Daniel Azevedo Duarte, para o Valor, de São Paulo)


Globo Rural

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