Política

Lula critica Tarcísio em SP, e Haddad associa governador a ‘máfia do Master’

Em um ato de campanha neste sábado (5) ao lado de Fernando Haddad (PT), o presidente Lula (PT) fez críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o chamou de “um cara do Rio de Janeiro” e disse que o opositor não fez obras pelo estado.

“É uma coisa tão abominável que venha um cara do Rio de Janeiro, um tenente do Exército, que não sabia sequer a escola que ia votar, e o povo de São Paulo preferir ele do que um companheiro formado na USP, um companheiro que foi prefeito da cidade, foi ministro da Fazenda, ministro da Educação”, disse Lula em São José do Rio Preto (SP).

Na sequência, o petista instou o público presente a citar obras feitas pelo adversário: “Eu desafio vocês lembrarem de alguma obra que esse homem fez em São Paulo. Duvido, duvido. Vocês não lembram? Não tem uma obra do governo passado e não tem obra agora”.

Em um discurso de cerca de 20 minutos, o presidente não fez referências diretas a Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência, nem à crise institucional no STF (Supremo Tribunal Federal). Aproveitou o tempo para falar sobre feitos do seu governo e mobilizar a militância em torno da candidatura de Haddad ao governo.

Haddad adotou um tom mais duro em seu discurso, mirou o escândalo do Banco Master e disse que a instituição manteve negócios com três ex-ministros do governo Jair Bolsonaro (PL).

“Três ministros, o presidente do Banco Central, o candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência da República, todo mundo pôs o dinheiro, pôs a mão no dinheiro do Master, e nós não chamamos isso pelo nome que tem? Isso é uma máfia. Quem montou o Banco Master nesse país é uma máfia para se perpetuar no poder”, disse Haddad.

Sem citar o nome de Tarcísio de Freitas, Haddad disse que o então candidato a governador de São Paulo em 2022 recebeu doações de campanha ligadas ao banco.

Em proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, Vorcaro afirmou que doou R$ 3 milhões para a campanha de Tarcísio para manter o contrato do Credcesta, cartão de crédito consignado do Master, com o Governo de São Paulo.

Segundo o relato, a propina teria sido articulada junto a Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice-presidente do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Kassab foi secretário de Governo de Tarcísio. As doações foram feitas em nome de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.

Tarcísio disse na quinta (3) que “nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro e não tem conhecimento do fato mencionado”. Kassab disse que a versão de Vorcaro é “um relato absolutamente fantasioso”, que refuta “com veemência”.

Em nota, o Governo de São Paulo afirmou “repudiar e negar, de forma categórica, qualquer insinuação de irregularidade ou favorecimento” envolvendo o caso. Segundo o governo paulista, a PKL Credcesta foi credenciada na gestão anterior a partir de critérios objetivos, sem margem de escolha, e cumprindo os requisitos previstos.

Neste sábado, ao criticar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Haddad citou a compra de imóveis pelo senador e a aquisição de uma mansão em Brasília, além do recebimento de dinheiro de Daniel Vorcaro, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

“Se alguém souber mais alguma coisa do Flávio, favor comunicar, porque ninguém sabe. Esse pulha quer ser candidato à Presidência da República. Não tem condição”, afirmou.

Cerca de 8.000 pessoas participam do comício com Lula e Haddad em São José do Rio Preto, segundo estimativa da Polícia Militar. O calor intenso afetou o público e algumas pessoas precisaram de atendimento médico.

A cerca de 500 metros da praça Dom José Marcondes, onde foi realizado o ato petista, o deputado Paulo Bilynskyj (PL) realizou uma manifestação, com um público menor.

A agenda do presidente neste sábado começou com uma visita às instalações do Hospital do Amor, em Barretos, em ato institucional do governo.

Em discurso, Lula exaltou o SUS (Sistema Único de Saúde), relembrou pandemia de Covid-19 e fez críticas ao ex-presidente Bolsonaro. O presidente disse que o número de mortes na pandemia poderia ter sido menor caso o governo tivesse seguido as orientações da ciência.

“Dizer que a vacina faz a pessoa virar gay, virar jacaré, é crime”, afirmou o petista, citando os riscos causados pela desinformação que leva pais a deixar de vacinar seus filhos.

Folha de São Paulo

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