Projeto incentiva protagonismo jovem e fortalece permanência no campo


Aos 19 anos, Larissa Ketlin Algayer encontrou no cultivo de morangos uma forma de diversificar a produção da propriedade da família e construir seu futuro no campo. Residente em João Rodrigues, no interior de Rio Pardo (RS), ela cresceu acompanhando o trabalho dos pais na atividade rural e desenvolveu desde cedo interesse pela vida no meio rural.
A produção de morangos já existia na propriedade, conduzida pela mãe em pequena escala. Com o passar do tempo, Larissa percebeu que a atividade poderia gerar mais renda para a família e começou a planejar formas de ampliá-la. A ideia resultou na instalação de uma estufa, que hoje, abriga cerca de duas mil plantas e se tornou uma importante fonte complementar de renda.
Além da venda dos morangos in natura, a família aproveita frutos que não são comercializados frescos para produzir geleias, reduzindo perdas e agregando valor à produção. “Eu vi que, na minha propriedade, teria uma oportunidade de crescer e de diversificar a produção”, afirma.
Larissa Ketlin Algayer, 19 anos, egressa da turma de Rio Pardo (RS) e produtora de morango
Auêh Filmes
A trajetória da jovem está ligada a uma realidade comum em muitas regiões do país. Segundo o Censo Agropecuário 2017, o mais recente realizado pelo IBGE, cerca de 77% dos estabelecimentos rurais brasileiros são formados por pequenas propriedades familiares, onde a sucessão rural tem sido um dos principais desafios.
Em um cenário marcado pelo envelhecimento da população rural e pelos desafios da sucessão familiar no campo, iniciativas voltadas à formação de jovens agricultores ganham cada vez mais importância.
É nesse contexto que atua o Instituto Crescer Legal, organização que há 11 anos promove qualificação profissional para adolescentes de pequenas propriedades rurais e da agricultura familiar nos estados do Sul do Brasil. Baseado na Lei da Aprendizagem, o programa combina educação, empreendedorismo e gestão rural para estimular os jovens a enxergar novas possibilidades de futuro no meio rural.
A iniciativa é realizada em parceria com municípios e escolas das comunidades atendidas. Atualmente, está presente em 25 municípios da Região Sul e já certificou mais de 1.220 jovens. Além da formação inicial, o Instituto mantém ações voltadas ao acompanhamento dos participantes após a conclusão do curso, oferecendo oportunidades de capacitação e apoio para o desenvolvimento de projetos construídos durante o período de aprendizagem.
Allan Adriano Aretz, 24 anos, egresso da turma de Vera Cruz (RS), é produtor de morango, tabaco, uvas, mandoca e batata
Junio Nunes
Outro jovem egresso do programa é Alan Weiss, de 24 anos, morador da região de Vera Cruz (RS). Ex-aluno da segunda turma do projeto, ele decidiu permanecer no campo para investir no futuro da agricultura familiar e está prestes a se formar em Agronomia, para agregar aos conhecimentos adquiridos no Instituto.
A família de Alan já produzia milho e tabaco, mas foi após sua participação no projeto que a propriedade passou por um processo de diversificação. Hoje, além dessas culturas, a família investe na produção de morango, uva, mandioca e batata.
Alan conta que, antes mesmo de escolher o agro como profissão, já enxergava o setor como uma grande oportunidade. “Quem gosta da lida do agro sabe que é algo surreal, porque você tem liberdade”, afirma. Atualmente, seu foco está na ampliação e diversificação da produção familiar, aplicando na propriedade os conhecimentos adquiridos durante sua formação.
“O pessoal jovem que quer ficar no agro é pouco, sempre conto nos dedos. Então, para a gente que está aqui, ter a oportunidade de permanecer no campo é gratificante”, comenta.
Mais um jovem que decidiu cultivar suas raízes no campo com o apoio do Instituto foi Igor Gassen. Egresso da turma de Vera Cruz (RS) de 2018, ele tem 21 anos e se dedica à busca de alternativas para otimizar a produção de tabaco e a criação de animais na propriedade da família.
Rodrigo Gassen, de 21 anos, egresso da turma de Vera Cruz (RS), é produtor de tabaco e criação de suínos
Auêh Filmes
Conheceu o curso por meio de um coordenador de sua escola, e após concluir a formação no Instituto, deu continuidade aos estudos em um curso técnico agrícola. Com o apoio da família, investiu inicialmente no aprimoramento da produção de tabaco. Posteriormente, motivado por uma antiga paixão do avô, retomou a criação de suínos na propriedade, atividade que se expandiu para a criação de galinhas e gado.
Igor relata que a decisão de se dedicar ao negócio familiar já fazia parte de seus planos muito antes da formação. “A família conquistou aquela terra, trabalhou muito por ela, e muitas vezes isso acaba se perdendo”, destaca.
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