Saúde

Saiba como usar 5 produtos de k-beauty virais, como o shot de retinal

Um tubinho prata e verde com um creme que combina retinal e microagulhamento é uma das febres do momento nas redes sociais. Esse e outros produtos de k-beauty viraram itens de desejo, mas ainda causam dúvidas sobre para que servem e se são indicados para qualquer pele —sobretudo quando a lista de ingredientes e instruções de uso vêm em outro idioma.

O mercado de beleza da Coreia do Sul tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil, guiado pela saúde da pele e o cuidado preventivo. Entre os fatores que o destacam estão a combinação de ingredientes funcionais, preços acessíveis e a atenção à experiência de uso, o que inclui textura e acabamento, avalia a cientista cosmética Juliana Pegos.

“A indústria sul-coreana tem uma velocidade de desenvolvimento grande e capacidade de transformar ingredientes, tecnologias e formatos em produtos muito fáceis de entender e desejar”, diz. O segmento também é conhecido por criar cosméticos orientados por ingredientes, a exemplo da centella asiática e do PDRN [substância regeneradora derivada do DNA de salmão], ela completa.

Há, no entanto, algumas diferenças do k-beauty em relação ao skincare brasileiro. Uma delas é a quantidade de etapas na rotina: chegam a dez, com mais de uma fase de limpeza e hidratação. As coreanas incluem alguns itens pouco comuns por aqui, como essência, espuma de limpeza e máscara facial.

Dermatologistas alertam que nem todo skincare que funciona para uma pessoa funciona para outra, e é preciso tomar cuidado ao usar cosméticos adequados ao tipo de pele. Por isso, é importante entender o que é o produto e como agem seus ingredientes, em vez de só comprar algo porque viralizou, observa Pegos.

Isso também ajuda a saber o que esperar do resultado, ela completa. “Quando um produto viraliza, é fácil olhar para o nome de um ingrediente e imaginar que ele vai reproduzir todos os resultados que aparecem nos vídeos.” Mas, na prática, o efeito não é garantido e depende de fatores como concentração do ativo e evidências clínicas da eficácia.

Além disso, a formulação do cosmético vendido na Coreia do Sul pode ser diferente da comercializada no Brasil ou em outro país. Isso acontece porque eles passam por uma regulamentação de acordo com as regras do órgão sanitário local —por aqui, é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)—, e ativos podem ser proibidos em certos territórios ou autorizados em quantidades menores. Fique atento ainda com produtos falsos, que podem causar prejuízos à saúde.

A seguir, selecionamos cinco itens de k-beauty que viralizaram nas redes sociais e explicamos como usar cada um.

Celimax the vita A retinal shot tightening booster

O chamariz do creme, que promete dar firmeza à pele, é o retinal e a tecnologia de micropartículas para aumentar sua permeação. O ativo é um retinóide que ocupa uma posição intermediária na conversão metabólica do retinol até o ácido retinoico –não significa que ele seja um “retinol mais forte”, explica a cientista cosmética.

Ele aparece com 0,1% de concentração e lipossomizado, o que aumenta a tolerância na pele, diz Pegos. É ainda um derivado da vitamina A, que melhora sinais de fotoenvelhecimento, como textura e aparência de rugas. A formulação traz ainda 3% de matrixyl, que ajuda nas rugas.

Como usar: Samara S. O. Kouzak, dermatologista especializada em dermatologia clínica e estética avançada, indica usar o “shot de retinal” quem tem pele adulta e busca melhorar a textura, firmeza e linhas finas. Pode ser benéfico para peles normais, mistas ou oleosas, mas deve ser evitado em peles sensíveis, secas ou com tendência a dermatite. Use à noite, após a limpeza e antes ou logo depois do hidratante, dependendo da tolerância da pele. Quem nunca utilizou retinóides deve começar gradualmente, completa Kouzak.

R$ 168,99, em soneda.com.br

Medicube PDRN pink collagen gel mask

A máscara rosa com consistência em gel é feita para deixar no rosto por horas, até ficar transparente. A fórmula traz combinações que visam hidratação profunda, melhora da elasticidade e viço e dão uma sensação imediata de firmeza e preenchimento superficial, explica Glauce Eiko, dermatologista formada também em farmácia.

Nela, estão colágeno hidrolisado, umectantes, peptídeos (para efeito de firmeza), vitamina C (antioxidante que melhora o brilho e pode ajudar a uniformizar a tonalidade da pele) e o PDRN, fragmentos de DNA extraídos do salmão, usados na cosmética por seu perfil regenerativo.

Como usar: Kouzak recomenda para peles normais a secas ou desidratadas. Peles sensíveis devem ter cautela. Pode ser a última etapa na rotina, depois da higienização e do sérum de tratamento.

R$ 200, em kscosmeticos.com.br

Medicube zero pore pads 2.0

Os discos de algodão embebidos em tônico têm duas superfícies: uma é para esfoliar, a outra para hidratar. A versão que costuma ser comercializada no Brasil traz ingredientes como AHA (ácido lático, que pode aumentar a descamação superficial e melhorar textura e aparência da pele) e BHA (ácido salicílico).

Outros ativos encontrados são pantenol e ácido hialurônico, que contribuem para a hidratação e o conforto da formulação, além de extratos vegetais, como de casca de sabugueiro e centella asiática. Essa combinação propõe uma renovação superficial, controle da aparência dos poros, redução de oleosidade e melhora da textura, explica Pegos.

Como usar: É indicado para pessoas com pele mista ou oleosa, com tendência a cravos, poros aparentes e textura irregular, afirma Kouzak. Quem tem pele sensível precisa ter cautela. O item deve ser usado após a limpeza e antes de séruns e hidratantes, e não há necessidade de utilizar diariamente, observa a dermatologista.

R$ 285,90, em lojasrenner.com.br

Numbuzin No.9 NAD+ eye cream

O NAD+ do creme para os olhos é a sigla de nicotinamida adenina dinucleotídeo oxidado, ativo com potencial de efeito rejuvenescedor e energizante celular, explica Eiko. A formulação destaca também o retinol, que estimula a renovação celular, aumenta a produção de colágeno e reduz linhas finas e textura irregular, e 50 peptídeos, sinalizadores bioativos que podem promover efeito “volumizador”.

Como usar: Eiko sugere introduzir o creme gradualmente na rotina, já que o retinol pode causar vermelhidão ou sensação de ardor, pois a área dos olhos é sensível. Ela alerta que combinar retinóides e tratamentos de esfoliação (que tenham AHA/BHA) pode aumentar a irritação. Evite se você tem sensibilidade ocular.

Kouzak sugere o uso em peles adultas ou maduras com linhas finas e sinais de envelhecimento ao redor dos olhos. Pode ser aplicado após a limpeza e antes ou associado ao hidratante da região. Utilize na rotina noturna, em dias alternados ou duas vezes por semana, aumentando conforme a tolerância.

R$ 179, em jinicosmeticos.com.br

Skin1004 madagascar centella ampoule

A cientista cosmética destaca que o sérum tem uma fórmula mais simples, com poucos ativos: água, glicerina, butilenoglicol, 1,2-hexanediol, goma de celulose e etilhexilglicerina. O principal é o extrato de centella asiática (ou cica), planta conhecida por ter ação anti-inflamatória e antioxidante, que ajuda na cicatrização.

Como usar: Devido à fórmulação, o sérum pode ser usado por qualquer tipo de pele, segundo Kouzak. Ele pode ser interessante sobretudo para peles sensíveis, sensibilizadas, secas ou que apresentam vermelhidão e desconforto. Aplique logo após a limpeza, pela manhã e à noite.

R$ 179, em sephora.com.br

Informação

Folha de São Paulo

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