Política

Um ano após tarifaço, governo não vê caminho para reverter taxas

Um ano após o anúncio do tarifaço norte-americano que mirou o Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não vê caminho para reverter a aplicação das taxas ao país. A gestão petista, agora, enfrenta a eminência de uma nova sobretaxa de 25% a uma série de produtos nacionais.

O Brasil não foi o único país atingido pela ofensiva comercial de Donald Trump que, desde que voltou à Casa Branca, promoveu uma política tarifária marcada por avanços e recuos. O teor político por trás das decisões envolvendo o Brasil, contudo, é o que diferencia o caso brasileiro dos demais alvos da guerra comercial.

Ao justificar as taxas, Trump vinculou a medida a críticas ao governo Lula e às investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ampliando o alcance da disputa para além das questões estritamente econômicas.


Tarifas contra o Brasil

  • O Brasil, assim como outros países, também entrou no radar da política tarifária de Donald Trump.
  • Em cinco oportunidades, os Estados Unidos anunciou tarifas contra o Brasil desde o início da nova gestão Trump.
  • Neste último ano, a política comercial contra produtos brasileiros foi marcada por reviravoltas, com suspensão e reaplicação de tarifas.
  • Agora, o governo brasileiro espera por uma nova decisão que pode significar um revés para o país para a aplicação de 25% de taxas a série de produtos brasileiros.

Um ano das tarifas contra o Brasil

Foi no dia 9 de julho de 2025 que o presidente Donald Trump anunciou que taxaria as importações brasileiras para os Estados Unidos em 40% — a alíquota se somou às de 10% já aplicadas ao Brasil no chamado Dia da Liberação de Trump, somando 50% de taxas ao Brasil.

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do Metrópoles

O presidente norte-americano justificou a medida por “ataques insidiosos” contra eleições livres no país e citou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) no documento.

“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato — inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve acabar imediatamente”, dizia o documento.

As taxas eram direcionadas ao Brasil e distintas das anunciadas pelo país meses antes, quando em abril os EUA adotou tarifas recíprocas contra diversas nações sob a justificativa de equilibrar a balança comercial norte-americana. As taxas foram efetivamente aplicadas no dia 1º de agosto e veio acompanhada de uma série de exceções.

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Brasil voltou a entrar no radar de tarifas dos EUA
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Brasil voltou a entrar no radar de tarifas dos EUA

Iskandar Zulkarnaen/Getty Images

Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
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Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil

Reprodução/FGV

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca
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Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca

Divulgação/Donald Trumo

Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump
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Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump

Ricardo Stuckert / PR

Negociações e decisão da Suprema Corte

Em outubro de 2025, Lula e Donald Trump se reuniram na Malásia, às margens da 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), para uma reunião bilateral. Após o encontro, os dois líderes determinaram o início de negociações para rever a aplicação de tarifas contra o Brasil.

Semanas depois da conversa, em novembro, os Estados Unidos anunciou que isentaria novos produtos das taxas de 40%. O anúncio foi comemorado pelo governo brasileiro e considerado uma vitória para a diplomacia petista.

Meses depois, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte suspendeu o tarifaço aplicado por Donald Trump sob a justificativa de que a lei federal de 1977, criada para situações de emergência, não oferece respaldo jurídico para as taxas impostas a diversos países, entre eles o Brasil, que teve as tarifas de 40% revogadas.

No mesmo dia, contudo, Trump anunciou novas tarifas a todos os países que haviam sido impactados pela decisão da Suprema Corte norte-americana. A taxa global de 10% foi imposta no dia 24 de fevereiro.

Investigação e proposta de tarifa

O Brasil espera agora pela aplicação de novas taxas. No dia 15 de julho de 2025, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou uma investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 sob a suspeita de práticas desleais cometidas pelo país.

O documento detalha supostas “práticas desleais” e cita a rua 25 de Março, símbolo do comércio popular em São Paulo, e a criação e utilização do Pix. A investigação foi concluída em junho deste ano e propôs a aplicação de 25% de taxas a uma série de produtos brasileiros.

Desde o anúncio, o governo brasileiro deu início à uma intensa negociação com os Estados Unidos com o objetivo de reverter as tarifas. Os diálogos entre os dois países, contudo, não avançaram para um consenso. Interlocutores do Palácio do Planalto consultados sob reserva avaliam a aplicação das taxas como o caminho mais concreto.

No dia 15 de julho, data que marca um ano do início da investigação, o USTR anuncia a conclusão do órgão após cumprir o rito da investigação e depois das diversas reuniões com o governo brasileiro. A medida atinge diversos setores da indústria e do comércio no Brasil e nos Estados Unidos.

Dias depois após a proposta de tarifas em 25%, o USTR anunciou novas taxas a cerca de 60 países. A nova proposta é embasada em uma investigação que apura a exploração de trabalho forçado e sugere taxas de 12,5% às nações alvo das investigações.

Teor político

Para membros do governo brasileiro, contudo, a tarifação baseada na Seção 301 tem maior teor político do que efetivamente comercial. Embora baseadas em pareceres mais técnicos da legislação comercial americana, os negociadores do Brasil avaliam que os Estados Unidos não levou em consideração as argumentações apresentadas pelo país nas tratativas para revisão das taxas.

As primeiras justificativas são embasadas pelo superávit norte-americano com o Brasil — ou seja, o país vende mais para o Brasil do que compra produtos brasileiros. Outro fator que pesa para a avaliação é a interlocução da Casa Branca com a família Bolsonaro, membros do clã têm apostado no diálogo com a gestão Donald Trump pela identificação ideológica.

O governo brasileiro responsabiliza ainda os membros da família, sobretudo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, pelas taxas que afetam o Brasil desde setembro do ano passado. Em meio ao desgaste político que associação com as taxas causou ao grupo, os filhos de Jair Bolsonaro (PL) tentam se desvencilhar das tarifas e passaram a adotar um discurso combativo das taxas.


Metrópoles

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