Saúde

Batom vermelho continua atual no trabalho, mas pede ajustes de tom

Pergunta: Comecei a usar batom vermelho vivo quando entrei no mercado de trabalho e nunca mais parei. Ele fazia parte do meu código de vestimenta e da minha identidade profissional. Agora, fico me perguntando se o visual não está muito carregado e me faz parecer antiquada. Como saber quando é hora de dizer adeus? —Lee, Tiburon, Califórnia

Resposta: O batom vermelho é, assim como a camiseta branca ou o pretinho básico, um elemento fundamental da identidade —e isso desde 3.500 a.C. Não estou brincando.

Foi nessa época que a rainha Puabi, da Mesopotâmia, aplicou nos lábios uma mistura de chumbo branco e pedras vermelhas trituradas, dando início à moda do vermelho como símbolo de poder —político, sexual ou sobrenatural— que perdura até hoje.

O batom vermelho “representa muitas coisas que as pessoas fazem questão de transmitir: poder, segurança, autoridade, convicção”, disse-me Rachel Felder, autora de “Red Lipstick: An Ode to a Beauty Icon”. “É um dos poucos itens de maquiagem que realmente desafiam as tendências. Em alguns contextos, é sexy, mas, no ambiente de trabalho, sobretudo com acabamento matte, ele diz: ‘Meu lugar é na sala da diretoria’.” E não, digamos, em um canto. É impossível ignorá-lo.

Não é de admirar que Cleópatra fosse fã, assim como a rainha Elizabeth I, a sufragista Elizabeth Cady Stanton, Marilyn Monroe e Diana Vreeland, editora da Vogue. Carolyn Bessette Kennedy também gostava de lábios vermelhos, geralmente sem nenhuma outra maquiagem visível, como mostrou a recente série de streaming “Love Story”.

Hoje em dia, Taylor Swift mantém essa tradição, assim como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, que contou à Vogue ter começado a usar batom vermelho durante sua primeira eleição primária como uma forma de parecer mais arrumada, conectar-se à sua cultura latina e ganhar uma “dose de confiança”.

Por isso, não me surpreende que o batom vermelho tenha se tornado seu cosmético preferido no trabalho —e uma espécie de uniforme profissional. Fala-se muito sobre o poder das ombreiras quando o assunto é a linguagem visual do mundo dos negócios e a expressão de autoridade, mas pode-se dizer que o poder dos lábios é igualmente eficaz e muito mais acessível.

Ainda assim, nem todos os vermelhos poderosos são iguais. Isso significa que, embora não haja necessidade de abandonar completamente seu cosmético característico, especialmente se ele se tornou parte de sua marca pessoal —mesmo que você não queira pensar dessa forma, esse é o efeito de criar uma imagem consistente—, talvez seja hora de fazer um ajuste.

“Às vezes, até mesmo aqueles itens básicos nos quais você confiou por anos têm prazo de validade”, disse Felder.

Isso pode ocorrer simplesmente porque fazer a mesma coisa todos os dias, com o tempo, pode começar a parecer automático, em vez de especial. O simples fato de você fazer essa pergunta sugere que talvez haja um incômodo persistente no fundo da sua mente. E é divertido experimentar algo novo.

Ou pode ser porque nossa pele, nossos dentes, nosso cabelo e até as cores que nos atraem no guarda-roupa mudam ao longo da vida, e nossa maquiagem deve mudar com eles.

De qualquer forma, segundo Bobbi Brown, fundadora de uma marca de cosméticos que leva seu nome e da Jones Road, a primeira pergunta que você deve se fazer ao olhar no espelho é: “Como isso me faz sentir?”. Se a resposta for “autenticamente eu, sem pedir desculpas!”, não se preocupe. Mas, se for “entediada, insegura ou presa à mesmice”, talvez seja hora de reavaliar. Até porque qualquer mudança não precisa ser radical.

“Antes de abandonar completamente o vermelho, vale a pena experimentar um tom menos intenso do que o clássico batom carmesim, como uma cor mais discreta, puxada para o bordô, ou um balm labial com cor que deixe uma camada translúcida de rubi ou escarlate”, disse Felder. Ela também observou que, à medida que os dentes amarelam, os vermelhos de fundo azulado favorecem mais do que os alaranjados.

Ela gosta do batom MAC Macximal Sleek Satin, na cor Dubonnet, um vermelho puxado para o bordô; do balm labial hidratante Ilia Balmy Tint, na cor Heartbeats; e do balm labial Chanel Rouge Coco Baume Satin, na cor In Love. E sugere dar “uma única passada para criar uma camada fina e bonita de cor, em vez de aplicar várias camadas”. Com esse objetivo, ela também recomenda o batom Bagatelle, da Dior, que tem o que a marca chama de “acabamento véu”.

Como alternativa, disse ela, basta aplicar uma camada de balm labial transparente ou vaselina sob seu batom habitual para criar um efeito mais suave. Brown também sugeriu experimentar “um cor-de-rosa ou um vermelho translúcido, com efeito de tint”, para um resultado mais leve.

A questão é pensar da seguinte forma: você não está necessariamente se despedindo de um item que se tornou parte de você. Está apenas dando boas-vindas a alguns outros.

Informação

Folha de São Paulo

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