AgroCultura

Colorida e saborosa: saiba como criar a truta-arco-íris



Como o próprio nome deixa claro, a truta-arco-íris é um peixe de pele colorida e vibrante, que lembra a faixa de cores que se forma no céu após a ocorrência de chuvas, quando as gotículas de água que se mantêm no ar refletem a luz do sol.
A beleza desse peixe, que é iridescente – quando a coloração visível muda a depender do ângulo de incidência da luz –, chama atenção, mas é a carne saborosa da espécie que estimula a demanda e faz da criação uma atividade rentável para os produtores, em especial os que trabalham em pequenas propriedades em áreas montanhosas.
Branca, de textura macia e sabor suave, que se compara às características do salmão, a carne da truta-arco-íris agrada pessoas de todo o país. O produto chega aos consumidores diretamente do produtor ou via comercialização no varejo tradicional.
Além disso, o criador pode contar com uma fonte adicional de renda ao vender exemplares vivos para estabelecimentos que oferecem a atividade de pesca esportiva.
Originária de regiões frias da América do Norte, a truta-arco-íris encontrou em rios de pouco volume que cortam as serras das regiões Sul e Sudeste do Brasil – em que as temperaturas são baixas durante boa parte do ano – o ambiente ideal para se adaptar.
A espécie chegou por aqui na década de 1950, mas seu manejo só começou a se difundir de fato 20 anos depois, quando teve início a fabricação de ração no país. No entanto, o principal elemento dessa difusão foi o avanço dos conhecimentos sobre a reprodução artificial, uma vez que as trutas não desovam em tanques naturalmente.
Produtores familiares
Ao longo do tempo, em áreas como a da Serra da Mantiqueira, cadeia montanhosa que cobre partes de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a criação da truta-arco-íris tornou-se um empreendimento comercial típico da agricultura familiar.
A atividade passou a gerar trabalho remunerado e movimentar o turismo local, além de fornecer um produto de alto valor agregado para abastecer restaurantes e pontos de venda em locais próximos. Dois exemplos dos benefícios econômicos são os municípios mineiros de Itamonte e Sapucaí-Mirim, nos quais a truticultura é uma das principais fontes de renda da população rural.
Se a estrutura for adequada e o tratamento, eficiente, a lida com trutas pode gerar bom retorno financeiro. Como a produção é intensiva, em espaços reduzidos, o sucesso da criação depende de três fatores centrais. O principal deles é a água, que precisa ser de qualidade, abundante, fria, cristalina e rica em oxigênio.
+ Veja mais espécies na seção Como Criar
O segundo é a alimentação: a ração precisa ter elevado teor de proteína, posto que, na natureza, a truta-arco-íris é carnívora e voraz na ingestão de insetos, larvas e animais, que consegue engolir inteiros. Por fim, os cuidados devem ser diários – um zelo e uma dedicação que formam a base de um projeto potencialmente vencedor.
Mãos à obra
Início: A vazão de água fria em abundância, em especial no inverno, é fundamental para a criação da truta-arco íris. Escolha um local onde haja fluxo volumoso de água de boa qualidade.
Compre ovos embrionados ou alevinos de produtores mais experientes na atividade que possam fornecer material genético de excelência.
Ambiente: Locais em que predominam baixas temperaturas, com água entre 10°C e 20°C, sendo o crescimento da truta-arco-íris mais eficiente na faixa de 15°C a 17°C.
Para a reprodução artificial, a temperatura da água deve ser de cerca de10°C. Monitore a variação com um termômetro, para acompanhar o desenvolvimento dos peixes e facilitar o manejo.
Instalações: Precisam contar com grades, telas ou caixas de decantação,a fim de impedir a entrada de folhas, galhos e areia, o que diminui o risco de entupimentos. Também são necessárias canaletas de alvenaria ou concreto, que evitam erosão e desmoronamento ele levam a água aos tanques.
Para que o controle da produção seja mais preciso, o ideal é que cada criatório tenha abastecimento e escoamento independentes. A truta pode ficar solta em áreas cercadas durante o dia e ser recolhida à noite. A vivência em grupo ajuda na socialização.
Tanques: Precisam ser impermeabilizados e revestidos. O cimento é a opção mais indicada, pois o material é duradouro e facilita a limpeza, ajudando a evitar o acúmulo de sujeira, o que diminui o risco de doenças.
Materiais como fibra de vidro, pedra, tijolos e mantas plástica e asfáltica acabam exigindo mais manutenção. Com escoamento central, o formato circular é o que tem melhor resultado, mas os tanques devem ser planejados para atender à área disponível e autorizada para o criatório.
Alimentação: Em lojas de produtos agropecuários, há rações com balanceamento nutricional adequado para cada fase da vida da trutaarco-íris e granulometria ajustada ao tamanho do peixe.
A distribuição do material deve ocorrer lentamente, sobre toda a superfície da água do tanque, e de acordo com a temperatura e o tamanho dos peixes.
Em geral, o fornecimento é de 1% a 10% do peso vivo ao dia. Se os peixes deixarem de consumir os grãos, interrompa a alimentação para evitar o desperdício e a contaminação da água.
Cuidados: É recomendável construir uma lagoa de decantação abaixo dos tanques para que não se acumulem restos de ração e fezes dos peixes na água.
Antes de voltar ao rio, a água tem que ficar nesse espaço por cerca de 30 minutos, para que as partículas sólidas se depositem no fundo. É possível aproveitar o material como adubo em hortas e plantações.
Reprodução: Como a reprodução de trutas criadas em tanques não é natural, produtores iniciantes devem recorrer a profissionais experientes para a etapa de inseminação artificial.
O procedimento é a seco, com a coleta dos óvulos e sêmen dos peixes adultos após uma leve compressão abdominal. Em seguida, os ovos são incubados em ambiente controlado até a eclosão dos alevinos.
Criação mínima: o número depende da abundância e da qualidade da água;
Custo: cada projeto vai exigir adaptações a depender do local e da finalidade da criação;
Retorno: a truta leva, em média, oito meses para atingir o tamanho comercial (porção de 250 gramas);
Reprodução: as trutas podem desovar aos 2 anos ou quando pesam ao menos 500 gramas, o que ocorre quando há condições ambientais adequadas. No Brasil, a desova é mais frequente de maio a agosto.
Onde adquirir: Com criadores idôneos e com referência estabelecida no mercado.
Mais informações: Institutos de Pesca, empresas de pesquisa, instituições de ensino com curso no setor de aquicultura e produtores tradicionais podem fornecer orientações sobre técnicas de criação.
Consultoria: Neuza Sumico Takahashi é bióloga, doutora e diretora da Estação Experimental de Salmonicultura Dr. Ascânio de Faria, Instituto de Pesca, Campos do Jordão, tel. (12) 3663-1021, [email protected]; e Arno Juliano Butzge é biólogo, doutor e pesquisador do Centro de Aquicultura da Universidade Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Jaboticabal, tel. (14) 98106-5541, [email protected]


Globo Rural

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo