Economia

Michelle afirma que Jair Bolsonaro ‘sabe de tudo’ ao citar ataques a ela

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro sabe dos “ataques” e “mentiras” que ela tem sido alvo. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, ela afirma que estas ações são realizadas por pessoas que se dizer “defensores e aliados” do antigo ocupante do Planalto, que está em prisão domiciliar após a condenação pela trama golpista.

— Não me deixaram viver em paz no momento mais difícil da minha vida. Inclusive, ignorando o pedido que o próprio Jair escreveu, em uma carta, para que parassem com os ataques. Ele está sabendo de tudo e vê a situação que tenho enfrentado. Então hoje, a verdade vai iluminar o que foi escondido na escuridão das notícias falsas e nos ataques irresponsáveis — disse Michelle.

No mesmo vídeo, Michelle fez críticas aos filhos de Jair Bolsonaro e indicou uma ruptura com o senador e pré-candidato do PL ao Planalto Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirmou que Flávio a “maltratou” e a “desrespeitou” durante ligação. A declaração ocorre em meio a disputa de poder na família.

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Segundo Michelle, a ligação ocorreu horas depois de ela tornar públicas suas críticas às negociações do PL com Ciro Gomes (PSDB), no Ceará. Ela afirmou que tentou contato com Flávio por telefone e que, quando ele retornou, ouviu que seria melhor não interferir nos rumos do partido.

— Ele foi muito ríspido. Me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política — disse Michelle.

A ex-primeira-dama afirma que “sabe mais” de política do que o entorno de Flávio pensa:

— Agora, vou desmentir as narrativas. Eles me tratam como se fosse idiota. Como se fosse alguém que chegou ontem. Eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam.

Histórico de atritos

Desde dezembro, quando Flávio anunciou que o pai o havia escolhido como nome do bolsonarismo à Presidência, Michelle tem se mantido afastada do projeto político dos filhos do marido.

O desgaste na relação da madrasta com os filhos de Bolsonaro é fruto de discordâncias no núcleo bolsonarista sobre a escolha do representante na corrida pelo Planalto, em uma disputa por protagonismo político. Michelle e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro romperam relações após o ex-parlamentar desaprovar abertamente a madrasta como opção de candidata à Presidência ou Vice.

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Já a relação com Flávio azedou quase um mês antes do anúncio dele como pré-candidato ao Planalto. O afastamento ocorreu após o senador ter feitos críticas públicas à madrasta, classificando a postura da ex-primeira-dama como “autoritária”.

A fala do senador ocorreu após Michelle se posicionar contra uma aliança costurada no Ceará para que o bolsonarismo apoiasse Ciro Gomes ao governo estadual. A ex-primeira-dama defendeu o nome do senador Eduardo Girão (Novo) neste pleito. Posteriormente, Flávio disse ter pedido desculpas à madrasta.

Sem espaço na corrida presidencial, Michelle indicou que disputaria o Senado pelo Distrito Federal. A participação dela nesta eleição, entretanto, foi colocada em dúvida pela própria ex-primeira-dama. Em março, ela afirmou que vai ficar afastada das articulações políticas enquanto o ex-presidente Bolsonaro se recupera.

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Silêncio após caso ‘Dark horse’

Já em maio, a reação de Michelle à crise envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, reacendeu a tensão na família Bolsonaro. Segundo relatos feitos ao GLOBO, o ex-vereador Carlos Bolsonaro e Eduardo reclamaram a aliados da ausência de uma defesa pública mais enfática da ex-primeira-dama após ela evitar comentar o caso e afirmar que perguntas sobre o tema deveriam ser feitas “ao próprio Flávio”.

O desconforto aumentou ainda porque, no mesmo evento em Brasília, Michelle também se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “irmão em Cristo”. A expressão foi utilizada pela ex-primeira-dama ao comentar a autorização dada pelo magistrado para que Jair Bolsonaro recebesse um cabeleireiro durante o período de prisão domiciliar.

Nos bastidores do PL, a postura da ex-primeira-dama é interpretada como um sinal de que ela continua preservando a própria posição política caso Jair Bolsonaro decida discutir mudanças no cenário presidencial da direita.

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Segundo o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, Michelle e Flávio não se falaram pessoalmente ainda neste ano. A comunicação entre eles se deu apenas por meio de intermediários, como o coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN); o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; ea senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

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