Política

Procuradoria pede derrubada de decisão de Nunes Marques que censurou pesquisa a pedido de Flávio Bolsonaro

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pediu, nesta segunda-feira (22), a derrubada da decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa realizada pelo Instituto AtlasIntel, que mostrava queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a revelação das relações dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A partir de um pedido do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Nunes Marques entendeu haver indícios de indução para a contaminação das respostas, o que teria comprometido a metodologia da pesquisa.

A pesquisa apontou uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do pré-candidato do PL e avaliou a percepção dos eleitores após o vazamento de um áudio de uma conversa do senador pedindo dinheiro a Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, que apresenta a trajetória do ex-presidente, que está em prisão domiciliar.

As conversas revelam que Flávio pediu R$ 134 milhões ao banqueiro, dos quais foram repassados cerca de R$ 61 milhões.

O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, apontou que não há elementos que justifiquem a suspensão e considerou natural que institutos de pesquisa procurem questionar os eleitores sobre “temas políticos sensíveis”.

A intervenção da Justiça Eleitoral nas pesquisas eleitorais somente deve ser admitida em situações excepcionais, nas quais fique sobejamente demonstrada uma quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade no levantamento científico realizado, com evidências concretas que permitam concluir uma indução que represente significativa interferência indevida na livre formação da opinião dos entrevistados”, afirmou Espinosa, em seu parecer.

O julgamento começou no início do mês, mas foi interrompido por um pedido de vistas da ministra Estela Aranha. Ainda não há data para o retorno da discussão. Os ministros defenderam ainda uma reunião com os institutos de pesquisas para discutir os critérios de elaboração.




Brasil de Fato

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